ARAFAT outra vez------- Nouvel Observateur
A esperança viva dos Palestinos (12 de Novembro de 2004) Morto quinta-feira 11 de Novembro,o presidente Yasser Arafat terá simbolizado a aspiração dos Palestinos a um Estado nacional e a independência. Nascido o 24 de Agosto de 1929 no Cairo, onde passou a maior parte da sua infância, abandona a universidade do Cairo, em 1948, para participar nos combates na Palestina.
Após a derrota, refugia-se à Gaza e, seguidamente volta ao Cairo em 1950,retomando os seus estudos superiores, que farão de ele um engenheiro de obras públicas. É no Kuwait onde trabalha que funda a Fatah (palavra forjada a partir das iniciais árabes de Movimento de liberação nacional). Esta organização coloca a tónica sobre o papel central dos Palestinos na liberação da sua pátria e exprime a sua desconfiança em relação aos regimes árabes.
Esta visão de Arafat e os seus companheiros explica as relações complexas que o movimento palestino manterá com as diferentes capitais do Médio Oriente. É de resto a derrota do Egipto, a Síria e a Jordânia em frente do Israel, em Junho de 1967, que cria as condições de afirmação da luta armada palestina independente. Yasser Arafat toma a direcção do Comité executivo da Organização de liberação da Palestina (OLP), organização que reune os diferentes grupos palestinos (Frente popular para a liberação da Palestina, George Habache, Frente democrático de liberação da Palestina de Nayef Hawatmeh, Saïka,.
Sem entrar em detalhes sobre a biografia do líder palestino, é importante recordar as grandes vitorias do seu combate. Yasser Arafat terá tido êxito ao fazer reconhecer OLP como o único representante do povo palestino e terá feito desta organização o símbolo da unidade de um povo e o seu desejo de independência; terá tido êxito ao fazer reaparecer a questão palestina e ao mante-la sobre o mapa político do Médio Oriente, apesar todas as tentativas de liquidação,por parte dos regimes árabes (Setembro negro - 1970 - na Jordânia, intervenção síria no Líbano em 1976) que israelianas. Além disso, Yasser Arafat é o primeiro líder palestino a ter tido em conta a situação criada pela emergência do Estado do Israel e a presença de vários milhões de cidadãos judaicos israelitas.
Após ter preconizado, a partir de 1969, um Estado democrático único onde coabitariam judaicos, muçulmanos e cristãos, pronunciou-se a partir de 1974 em prol da criação de um Estado palestino ao lado do Estado do Israel. E convenceu OLP e o seu povo da necessidade deste compromisso. A assinatura dos acordos de Oslo, 13 de Setembro de 1993, confirmou que Yasser Arafat estava pronto para jogar o jogo da negociação e uma solução política.
Retornou à Gaza, instalou a Autoridade palestina, da qual foi eleito presidente, por sufrágio universal, em Fevereiro de 1996. a Sua gestão foi muito contestada, frequentemente a justo título. Tentou, ao longo dos anos, navegar entre má a vontade israelita (continuação da colonização, atraso na aplicação dos acordos de retirada, etc..) e a exasperação crescente do seu povo (que reflecte a subida em força do movimento Hamas). Contrariamente à visão mantida por certa propaganda israelita, Yasser Arafat não recusou, na cimeira de Campo David de Julho de 2000 as, "generosas propostas"do primeiro ministro Ehoud Barak.
Realmente, e aquilo que é confirmado por numerosos observadores, incluindo americanos, presentes nas negociações (ler os artigos do Mundo diplomático sobre o assunto), o plano do Sr. Barak previa que Israel guardaria quase 10% da Cisjordânia, o essencial da Jerusalém-árabe e continuava a ser mudo sobre a pergunta doproblema dos refugiados.
Que o Sr. Arafat às vezes geriu mal a situação criada pelo malogro de Campo David é um facto, que cometeu muitos erros de apreciação também é verdade, mas a responsabilidade primeiro do desmoronamento do processo de paz pertence aos, Israelitas e aoss Americanos, que rejeitaram a criação de um Estado palestino sobre o conjunto da Cisjordânia e Gaza assim como Jerusalém- Leste como capital.
O desencadeamento no fim de Setembro 2000, do segundo Intifada, confirmou a exasperação da população palestina. A eleição do Sr. Ariel Sharon, em Fevereiro de 2001, favoreceu escalada da violência, a destruição de todas as infra-estruturas políticas e civis palestinianas, os atentados-suicídio, etc. Confinado à Mouqata,Yasser Arafat simbolizou nestes últimos meses a recusa dos Palestinos de se renderem ao diktat do Sr. Ariel Sharon. Confirmou o espírito de resistência que anima o seu povo, apesar terríveis de sofrimentos.
O processo de paz poderá ser relançado? O Sr. Sharon e o Sr. Bush repetiram tanto que Yasser Arafat era o principal obstáculo à paz que dever-se-ia, em boa lógica, assistir rapidamente a uma solução.
Os dois líderes comprometer-se-ão nesta via? Seria necessário ainda que aceitassem a única condição para o estabelecimento de uma paz justa, a criação de um Estado independente palestino, em todos os territórios ocupados desde mais de trinta e cinco anos.
Alain Gresh.