observarformigas

POEMAS,.....PALAVRAS AVULSAS,....PENSAMENTOS INCOMPLETOS

terça-feira, novembro 30, 2004

Afinal os leões ,sempre acabaram por comer o dono do circo (Santana).
Será que o PSD, vai apresentar como candidato a primeiro ministro os restos
da sobremesa dos grandes felinos?
Se fôr esse o destino do PSD. Paz à sua alma!


fernando gregorio

E agora chegou o momento da esquerda!Acabou a longa hibernação da esquerda!
Lutar por um governo de Paz (retirar os soldados do Iraque), os homens também já estão fartos de jogar à sueca.
Contas das empresas transparentes (pagar os impostinhos,meus meninos............)
Prioridade à educação, (mas por favor senhores do PS, não se apaixonem, porque já vimos os resultados).
Tirar a saúde do atoleiro de promiscuidade, onde público e privado chafurdam indistintamente.
Enfim ,um novo começo!
E uma esquerda que não tem nada a perder, porque não abdica do essencial para atingir o poder!

fernando gregorio
NOITE II



Descobri um mundo sombrio
dentro do sangue nocturno
das mulheres que sustinham
as nuvens giratórias
que cobriam a cidade.

Ardiam as flores
entre os poucos transeuntes,
enquanto uma lua furiosa
vibrava num céu tão jovem.

Fontes sombrias inundavam
os membros da cidade adormecida.

Passavam os autocarros
semeando o seu ruído,
enquanto os amantes estendiam
os seus braços, como se fossem
esplêndidas manhãs.

Flores de fogo
escreviam as letras
de um novo dia,
elas simulavam a arma
transbordante
de um novo início.

Fernando Gregório

segunda-feira, novembro 29, 2004

NOITE



Tem por costume a noite o domínio
dos seus movimentos surdos,
num aparente interregno, o silêncio
celebra pelas praças as suas cerimónias
ocultas.

repete-se o exacto das fachadas
dobradas sobre resguardos e enganos.

Repete-se o brilho das calçadas
na vacuidade fria dos passos.

Trata-se de uma imobilidade
falaciosa, pois algo se maquina
no âmago de um ilusório vazio.

Um grupo de passantes declara
que o amanhecer ocorrerá antes
de tempo.

Um autocarro transporta passageiros
ensonados, que olham a cidade
vazia daquilo que lhes havia sido
destinado.


Fernando gregorio


JÁ QUE O ESTADO SE DEMITIU!!;DAREMOS NÓS UMA LIÇÃO DE CIDADANIA!

SALVAR MONCHIQUE E O CALDEIRÃO!!





Feira da Serra ajuda vítimas de incêndios

Certame decorre entre sexta e domingo A Expoalgarve/NERA, na Zona Industrial de Loulé, recebe, a partir da próxima sexta-feira, 3 de Dezembro, mais uma edição da Feira da Serra de Loulé. Este ano, as receitas de bilheteira revertem a favor da conta "Caldeirão Vivo", uma iniciativa que pretende ajudar as vítimas dos incêndios que afectaram as populações das freguesias de Salir, Ameixial, Alte e Benafim, bem como os concelhos limítrofes de São Brás de Alportel e Silves. Entre sexta e domingo, a iniciativa dará a conhecer, aos visitantes, a diversidade e cultura popular das freguesias da Serra do Caldeirão, através do seu artesanato, produtos, gastronomia, etnografia e tradições. Para além das zonas de exposição e comercialização, o certame é ainda composto por espaços de animação musical e infantil, demonstrações de artesanato "in loco" e por várias tasquinhas onde se poderão provar os melhores manjares regionais. Pelo palco da Feira da Serra de Loulé vão passar, no dia 3, o Grupo Coral Infantil de Loulé, vários fadistas que participaram na "Noite de Fado", e a banda "Cem Jeito e Cem Trambelho". Na noite de sábado, actuam o Duo Marfados Foles, o Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão, o Grupo Coral Juvenil de Loulé, o Grupo Santa Maria e, para finalizar, a Big Band do Algarve. O último dia da feira conta com as actuações do Grupo de Teatro da Estrada, do Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte, "Adecore e Salteado" e "Banda Alhada". O certame vai estar aberto no dia 3, das 18:00 às 24:00 horas, no dia 4, das 14:00 às 24:00 horas, e no dia 5, das 14:00 às 23:00 horas. As entradas custam apenas 1,5 euros.
EP/RS

Alejandra Pizarnik

Desnudo soñando una noche solar.
He yacido días animales.
El viento y la lluvia me borraron
como a un fuego,
como a un poema escrito en un muro.

Alejandra Pizarnik



Nú sonhei uma noite solar.
Prostrado vivi dias animais.

O vento e a chuva apagaram-me
como se eu fosse um fogo,
como se eu fosse um poema
escrito na parade.

adaptação de f greg

domingo, novembro 28, 2004

Dê um passo para acabar com a tortura!"

Uma campanha da Amnistia Internacional

A Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão acolhe, de 22 de Novembro até 5 de Janeiro de 2005, a exposição "Dê um passo para acabar com a tortura!".

Esta exposição, que contém algumas imagens chocantes, faz parte das acções de divulgação da Amnistia Internacional e aborda a tortura nas suas várias vertentes, nomeadamente a sua utilização sobre crianças e minorias, as suas ligações ao racismo e discriminação, à problemática dos emigrantes, os negócios e tecnologias envolvidas, assim como o tratamento e recuperação dos sobreviventes a este tipo de acções. A mostra pode ser visitada durante o horário de atendimento da EMARP, nos dias úteis, das 8:30 às 17:00 horas.
Um pavilhão frio e enorme,práticamente lotado
A musica ouve-se,uma figura de um sonambulismo
timido,avança até à boca de cena.
Tinha começado o epectáculo, o que veio a seguir
valeu a pena.
A voz de Maria Rita, já transborda o formato das
composições escritas para a sua dimensão inicial.
Valeu a pena!

P.S:-Desta vez o sofá não levou a melhor.
POEMAS PORTUGUESES


Nada vos oferto
além destas mortes
de que me alimento

Caminhos não há
Mas os pés na grama
os inventarão

Aqui se inicia
uma viagem clara
para a encantação

Fonte, flor em fogo,
quem é que nos espera
por detrás da noite ?

Nada vos sovino:
com a minha incerteza
vos ilumino
Ferreira Gullar-Brasil
O GOVERNO SANTANA LOPES PARECE CADA VEZ MAIS UM CIRCO
DIRIGIDO POR UM DESNORTEADO.

RESOLVE ARMAR A TENDA NO MEIO DO TEJO,
SÓ DEPOIS DESCOBRE QUE AÍ NÃO HÁ CLIENTELA!
EXPRIMENTA BRAGANÇA;E NÃO SÓ NÃO HÁ CLIENTELA,;
COMO É MUITO FRIO.


AGORA OS PALHAÇOS COMEÇAM A PEDIR DEMISSÃO!

PELO ANDAR DA CARRUAGEM ,OS LEÕES AINDA COMEM O DONO DO CIRCO!

O VELEZ ANDA A DEIXAR CRESCER O BIGODE E A APRENDER A FALAR COM SOTAQUE ESPANHIOL;
SEMPRE SONHOU SER O "APRESENTADOR"!!


fernando gregorio
As palavras navegam


As palavras navegam
pelas ruas como barcos.

Como barcos sem destino

Num oceano repetido
pelos gestos
e pelo olhar dos caminhantes.

As palavras constroem
portos de bruma,
no coração metálico.

Junto à cidade desprotegida.

Elas desconhecem
mapas e âncoras.

O seu caminho
será o naufrágio,

junto ás praias
outrora sonhadas.

Fernando Gregorio

SOS Partimónio em Perigo!!!!

Neste caso, não SOMOS TODOS LISBOETAS ?
(Mesmo que não assinem a petição, não deixem de ler o que se diz sobre o Aqueduto, nessa página)
Sagas da Isabel AC

----- Original Message -----
From: "Emília Cabeleira" Sent: Tuesday, November 23, 2004 9:54 AM
Subject: FW: CRIL derruba Aqueduto às Portas de Lisboa

O quase tricentenário aqueduto das águas livres, monumento nacional, está em vias de ser destruido para dar passagem a uma estrada entre Benfica e a Buraca às portas de Lisboa.Existem alternativas viáveis e, até eventualmente, mais económicas.Para salvaguardar este património edificado, em vias de ser classificado património da humanidade pela UNESCO, assine a petição na internet.Não ligue à data que está no site. Estamos à espera de obter 5 mil assinaturas para serem entregue no Parlamento.A petição para assinar pela preservação do Aqueduto das Águas Livres está em: http://oprurb.org/noticias.php?id=16&lg=pt

sábado, novembro 27, 2004

Requerimento
Ao Exmº Senhor Ministro da Cultura.


Tendo conhecimento das políticas de apoio comunitário ao abate dos meios de criação/produção, que no parecer da EU, produzem em volume excessivo os seus respectivos produtos, tal como no caso dos produtores de suínos, que passarão a contar com apoio pecuniário pelos porcos não produzidos, como no sector das pescas, em que os armadores beneficiam de apoio monetário pelo abate das embarcações de pesca de cerco à sardinha, venho desta maneira e assumindo as minhas responsabilidades de escrevinhador e estragador de papel, pedir um subsídio pelo abate da minha caneta e do meu computador.É sabido que as livrarias estão a abarrotar de novos títulos, sendo que praticamente já não se pode circular nas mesmas, tal é a profusão de “novidades.”É igualmente do conhecimento de Vª Excelência o estado lastimoso da floresta portuguesa, fustigada por sucessivos anos de devastadores incêndios e por verdadeiras hordas de profícuos escritores da mais variada sorte e especialidade. Venho assim, desta maneira, requerer a aplicação da legislação europeia que, em boa hora, poderá salvar a Europa, não só do excesso de predação dos mares e da inflação da oferta de presuntos, como poderá salvar a cultura dos emplastros que inundam de maneira feroz as estantes e os corredores das livrarias.Saiba o senhor ministro que o requerente possui qualidades que se enquadram verdadeiramente na filosofia da política do abate de certos meios de trabalho. Saiba que toda a minha vida se pautou pelo evitar consciencioso do excesso de produção e logo pelo evitar do excesso de trabalho.Desde pequeno, e ao contrário do primeiro-ministro do governo de vossa excelência, cultivei com afinco a arte da sesta, dormindo, não só depois do almoço, assim como fazendo longos preparativos para a sesta antes da hora do almoço (revelando um indiscutível zelo pela performance da subsequente sesta).No entanto, senhor ministro, nos últimos anos aconteceu-me uma desgraça, pois convenci-me de que queria ser escritor. A partir desse momento, não só comecei a descurar as artes do aperfeiçoamento da sesta, como comecei a gastar papel em grandes quantidades. Pior ainda, coloquei nas livrarias (poucas felizmente), algumas ignóbeis obras ditas literárias, contribuindo assim para o verdadeiro engarrafamento de obras “literárias”, que actualmente acontece nas livrarias de todo o país.Estou seguro do deferimento de Vossa Excelência ao meu requerimento, já que dessa maneira todos ganharemos. A floresta perderá um predador, as livrarias terão mais espaço nos armários e, não menos importante, a arte da sesta e das longas horas de permanência horizontal no sofá voltarão a ganhar um cidadão que no passado sempre dedicou a essas nobres actividades um apego incondicional.Seguro do seu deferimento


Fernando Gregório

DIA SEM COMPRAS 27 de Novembro

O "Dia Sem Compras", o 27 de Novembro desde 1991, tem como objectivo ajudar a tomar consciência que a maior parte das vezes compramos bens não porque precisamos para satisfazer as nossas reais necessidades, mas porque nos tornámos viciados no consumismo desenfreado,vítimas inconscientes da manipulação levada a cabo pelas agências de publicidade, pelo Marketing e pelas sofisticadas e agressivas técnicas de vendas que tudo fazem para incentivar e manter o consumo compulsivo. A mensagem é clara: comprar menos, viver mais! Tentar uma vida simples por um dia, passando o tempo com aqueles que gostamos em vez de gastar dinheiro com eles. É também um dia de reflexão sobre as consequências ambientais, sociais e éticas do consumismo. Os países desenvolvidos - que constituem cerca de 20% da população mundial consomem 80% dos recursos naturais do planeta, causando um nível desproporcional de danos ambientais e uma injusta distribuição da riqueza. Como consumidores que somos temos que questionar os produtos que compramos e quem os fabrica, acerca da sua origem e processo de fabrico. Quais são os verdadeiros resíduos resultantes da sua produção? Quais as condições de trabalho e o nível de vida dos trabalhadores? O que nos leva a esta sede de comprar? Será a necessidade? O Dia sem Compras pretende ser um dia, um primeiro dia que sirva de exemplo para uma mudança de consciência e até de estilo de vida, para um consumo mais responsável e racional. Um consumo focado nas verdadeiras necessidades e tendo em conta os aspectos sociais e ambientais inerentes à preservação da Terra e ao tratamento igual que todos os seres humanos merecem.


Buy Nothing Day / "Dia sem compras" no Porto / G.A.I.A.
O VERÃO

Estás no verão,
num fio de repousada água, nos espelhos perdidos sobre
a duna.
Estás em mim,
nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome
pensas:
teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó,
sepultada rosa do desejo, um homem entre as mágoas.
És o esplendor do dia,
os metais incandescentes de cada dia.
Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces
o ardor das maçãs,
as claras noções do pecado.
Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos
meus anos.
Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os
rituais que previ.
Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras estão em
ti e inclinam-se.
Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima.
Doce e cruel é setembro.
Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.


José Agostinho Baptista
Paixão e Cinzas (1992)
In Biografia
Lisboa, Assírio & Alvim, 2000

William Butler Yeats

TUDO PODE TENTAR-ME

Tudo pode tentar-me a que me afaste deste ofício do verso:
Outrora foi o rosto de uma mulher, ou pior
—As aparentes exigências do meu país regido por tolos;
Agora nada melhor vem à minha mão
Do que este trabalho habitual. Quando jovem,
Não daria um centavo por uma canção
Que o poeta não cantasse de tal maneira
Que parecesse ter uma espada nos seus aposentos;
Mas hoje seria, cumprido fosse o meu desejo,
Mais frio e mudo e surdo que um peixe.


(tradução: José Agostinho Baptista)
.
O meu deserto

Tenho um deserto preso na ponta da caneta, não é um facto surpreendente pois já vi os melhores oradores exibindo magníficos territórios por desbravar no interior das suas bocas.
Não se tratam de fenómenos, mas sim de velhos hábitos. Como aquele que recusava qualquer tipo de viajem porque via permanentemente o Kilimanjaro projectado sobre a porta da sua casa. Coisas assim são o dia a dia de bastantes anónimos, não se tratam de videntes ou adivinhos mas sim de gente normal e corrente.
Conheci igualmente uma criança que transportava permanentemente um rio na extremidade do olhar. Na escola ela podia ver as cachoeiras que eram de todos desconhecidas.
Na minha rua habita há algum tempo uma senhora que traz ocasionalmente pela mão o Oceano Atlântico, podendo desta maneira visitar com alguma frequência a sua filha que vive em Nova Iorque.
Cá por mim fico muito contente com o meu deserto, pois sempre que fico retido demasiado tempo no trânsito, puxo da caneta e escrevo uma carta sem endereço.
Nesses dias deito-me muito feliz, porque tenho a certeza de que ao acordar, serei dono do mais belo oásis da minha cidade.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Buscaremos domicílios
Próximos do sol

Pediremos ao coração
A prudência do prazer

Perseguiremos a pacificação
No asilo da noite

Finalmente,
seremos imprudentes
Como a luz
Que incendiou
as estrelas. fernando gregorio
.

quinta-feira, novembro 25, 2004

DIÁRIO DE UM TÓXICOMANO

Não sinto os meus passos, mas sei que atravesso um espaço que me parece distante. Levito. Não canto, nem sei fazê-lo, não quero fazê-lo, estou longe, estou muito longe.Se me avistam, é puro engano, pois a minha presença é absolutamente virtual. Existo na não existência………habito-me, e é tudo. Eventualmente poderia dizer:-Sou neste momento e só neste momento o perecível de um instante.Nada mais para além disso, nada mais, só este momento sem tempo, este espaço construído à minha medida. Não, o que me cerca não me coexiste, o meu corpo é só uma peça secundária. Diluí-me no eixo do não sentido. Sou pois só isso, uma dissolução morna de um observador distante, cujos passos roçam o observado, existo no eixo de um caleidoscópio que ultrapassou o que poderia ser a minha vontade, contudo a minha vontade não existe em mim, o que resta da vontade é agora só matéria observável. Sou um entomologista ébrio, que sorri perante o afogamento da sua mais bela colecção de insectos.Não posso dizer “eu sou “; Posso sim dizer, “cercam-me”e digo-o com o sorriso do suicida nos lábios. Desfruto este cerco como algo potencialmente destruidor.É doce esse sentimento, porque levito para além da dor, conheço os mecanismos da dor, conheço os seus desenlaces, são-me indiferentes. Divirto-me de certa maneira ao observar os seus jogos. Gumes de navalhas inofensivas, entre as nuvens do entardecer. Um fim de dia sem tempo, na ambiguidade de uma luz que me é desinteressante, que unicamente toca o meu olhar, como se um dedo acariciasse inutilmente a minha retina. Sou pois indiferente, à minha maneira venci a dor. Sou um espectador sentado para além da plateia que reage aos espectáculos pelo agrado ou desagrado. Vivo o que pode ser um segundo, ou um dia, não tenho certezas. Isso basta-me.
posted by fernando gregório @
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quarta-feira, novembro 24, 2004

POR FAVOR SENHOR DEPUTADO...TENHA JUIZO!!

Não dixam de ser interessantes as propostas do deputado algarvio do PSD Alvaro Viegas,para o desenvolvimento do interior do Algarve;


Segundo o deputado, "há muito dinheiro para investir no interior - dois terços do nosso território. Se queremos diminuir as assimetrias e fixar as populações no interior, temos de investir. Tem de haver uma aposta séria em dotar o interior de condições mínimas de habitabilidade - estou a falar de saneamento básico, abastecimento de água, estradas. Podiam ser criados parques empresariais, ou para pequenas actividades. Refiro-me a ter uma política de solos, onde, por exemplo, seja possível permutar com as autarquias um terreno particular incluído numa reserva agrícola, com outro dentro da aldeia, onde é possível construir uma casa", conclui.



E depois o quê, senhor deputado.Depois de anular o povoamento rural disperso, caracteristico da nossa região, e quando as populações rurais abandonarem o que resta da débil agricultura algarvia, o que vão fazer as câmaras com os terrenos incluidos na reserva agricola que recebem eem troca. O que farão as Câmaras? Parques temáticos?Campos de golfe municipais?Parques aquáticos de diversão ?Vender os terrenos agricolas aos especuladores da construção civil?
É uma proposta assustadora! Será que já dobram os sinos a finados pela alma do que resta do Algarve rural?

fernando gregorio

terça-feira, novembro 23, 2004

O REGIME CHINÊS LAVA MAIS BRANCO

A HISTERIA ANTI-ISLÂMICA SEMEADA POR BUSH, DÁ BONS FRUTOS NA CHINA!!

A luta anti terrorista a caça às Bruxas!


China: Proteger os refugiados Uighur do regresso forçado

Durante anos de repressão, vários indivíduos da China, grande parte deles pertencentes à minoria muçulmana Uighur fugiram para países vizinhos. As suas vidas estão em risco, uma vez que a China está a pressionar esses países para o seu regresso forçado.
Muhammed Tohti Metrozi escapou de Xinjiang, Região Autónoma Uighur (XUAR) no noroeste da China para procurar refúgio no Paquistão. Como activista pro-independência e como membro da minoria étnica Uighur, esteve detido durante dois meses na China, sob a acusação de actividade “separatista”. Declarou também que enquanto esteve detido foi espancado com varas de madeira.
Muhammed foi aceite como refugiado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e aguardava realojamento na Suécia em Julho de 2003, quando teve de comparecer a um encontro com um oficial do Governo Paquistanês.
Não mais foi visto desde então.Alegadamente, Muhammed retornou forçosamente à China, onde foi detido. De acordo com alguns relatórios, foi julgado sob acusações relacionadas com o seu pedido de asilo e com o seu trabalho de auxílio a refugiados Uighur no Paquistão.
O caso de Muhammed é um dos vários exemplos de Uighurs que se pensa terem sido obrigados a regressar à China a partir de países vizinhos nos últimos anos.
O Governo Chinês parece estar a usar a internacional “guerra ao terror” como pretexto para ganhar apoio internacional às suas políticas de repressão à minoria Uighur, maioritariamente muçulmana.

AMNISTIA INTERNACIONAL

morte branca

MORTE BRANCA



Tranca a porta
e refugia-te
no insondado.

Conquista a paz.

a paz branca
a luminosa

o armistício.

Encontrarás
talvez aí
o que sempre
te foi negado
pela noite.

os despojos
do que foste
jazem lá fora.

por favor,
não olhes
o relógio,
pois jamais
o tempo
poderá banhar
o pouco
que te resta.

virá uma senhora,

a velha senhora
poliglota,

e dirá;

weisse tot
mort blanche
muerte blanca
withe dead
morte bianca
morte branca.

a senhora
das mil línguas.

ela será generosa
à sua maneira.

ela vai-te oferecer
a paz
bem junto
ao seu seio.

vais entregar-te?

Não te podes negar.

deixa-te ir
lentamente
suavemente!

tocará
o teu sangue
a última pergunta?

regressarás
a uma nova partida? Fernando gregorio


REFERENDO

Por outras palavras,para a maioria dos portugueses, a pergunta do PS,PSD;PP,sobre o referendo quanto à adesão à Constituição Europeia,é a seguinte:

sjcdn dbrdbdbdmdr,hcgfwv rtodnbaw
ndcdbdnbd d xchdhrnhckwmwnhxns ehckjdfmdm
sndnfn nbvs fnfjdfjekjekjdemdmdfmdcndmnernre jkd
mdmnddndndnd mjndndjdkjdjndmjd eb sbsn?


A pergunta proposta pelo Bloco de Esquerda é:

“Concorda com a alteração das instituições e das competências da União Europeia, nos termos do Tratado que Estabelece uma Constituição para a Europa?”


Os deputados do Bloco de Esquerda,


Convenhamos que a segunda proposta, dá para perceber!!
A primeira provavelmente tem de ser descriptada por especialistas em códigos secretos!
Só Deus saberá o que os homens querem dizer com aquilo!
Será que faz mal à saúde ler coisas daquelas??
Também não se sabe?

segunda-feira, novembro 22, 2004

O INTELECTUAL ALGARVIO

O "intelectual algarvio"é um bicho gregário.Quando se lhe propôe uma ida a um qualquer espectáculo ,logo o nosso amigo se desdobra em justificações:"Está um frio de rachar.....é pá ,acho que vou ficar em casa com a famelga!" E a coisa fica assim rápidamente resolvida. Depois existe outra espécie, a que sofre de um engarrafamento de agenda, agenda tudo, tem para o mesmo dia uma exposição "imperdível"(acontece pouco,mas acontece),um filme de que leu a critica e que parece valer a ida ao cinema, e um jantar em casa de um amigo que em princípio terminará lá para depois da meia noite.Este "espécimen" é cá dos meus.Leva mais de uma hora para tomar uma decisão (coisa bastante esforçada......), acaba com uma cefaleia dos diabos devida a um esforço intelectual sobrehumano, e finalmente decide: Vou mas é ficar em casa para ver o Beira Mar-Sporting.
Desta maneira o intelectual algarvio acaba matando uns três coelhos com a mesma paulada, e como recompensa tem lá o sofázinho "quentinho"para esticar o esqueleto.
No dia seguinte o nosso intelectual encontra outro confrade, logo depois das graçolas do costume, entram na parte séria da conversa, (afinal de contas sempre são dois intelectuais)depois de umas quantas opiniões trocadas, imediatamente concordam com veemência:O Algarve continua sendo um deserto cultural...... Um deles mais radical ,confessa ter vontade de migrar para Miranda do Corvo.........,poderá o tal deserto cultural ser o mesmo, mas ao meno muda-se de paisagem.Entretanto o nosso amigo vai pensando na melhor maneira de transportar o sofá ,rumo às terras do norte.

fdua greg





“Novo Artango” vai chegar à Fundação Pedro Ruivo



Em Faro dia 27 de Novembro Uma orquestra clássica, com um repertório dos primeiros anos do século XX, conseguiu recrear o tango dos anos 40, fazendo com que o público se sinta envolvido no espaço da época. Este foi o objectivo primeiro da Companhia Artango, criada em Agosto de 2002, por Hugo Fraga, recordando as grandes orquestras e a imagem de Carlos Gardel, implícitas no ambiente (re)criado através do Novo Artango - um espectáculo construído sobre os pilares de um quinteto que representa o novo sangue, um estilo ousado e irreverente, que se recria em vários géneros, em busca do seu próprio estilo, tendo como referência a marca de Astor Piazzolla.
Este espectáculo, agora trazido a Faro pela Fundação Pedro Ruivo, é composto por uma orquestra de cinco músicos, três pares de bailarinas e uma cantora e conta com a direcção do argentino Juan Estéban Cuacci.

A Companhia Artango sobe ao palco do Auditório Pedro Ruivo no próximo dia 27 de Novembro, a partir das 21:30 horas – um espectáculo a não perder. Os bilhetes já se encontram à venda na Fundação Pedro Ruivo.

MARIA RITA


Bilhetes para concerto de Maria Rita à venda na próxima semana
Na próxima sexta-feira, dia 19 de Novembro, inicia-se a venda de bilhetes para o concerto de Maria Rita, que se realiza no dia 26, pelas 22:00 horas, no Pavilhão Desportivo Municipal de Loulé.

Já tive o prazer de ver e ouvir ,(embora não ao vivo)a filha da infelizmente malograda "Pimentinha".
É dificil começar uma carreira desta maneira ,é sempre uma tentação criar esquemas comparativos mãe/filha.E a grande Elis é inimitável. Ela é uma referência central da MPB.
Rita sabe-o, e humildemente tem começado uma carreira própria, tentando distanciar-se o mais possível da sombra da mãe.A voz de Rita talvez não seja harmonicamente tão rica quanto a de sua mãe, mas a garota tem swing "a montes",e uma boa voz que ainda por cima promete evoluir............,criando o seu próprio caminho

fer greg

domingo, novembro 21, 2004

do blog almocreve das petas

in memoriam:

João Guimarães Rosa [m. 17 de Novembro de 1967]



"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como o sofrimento dos homens." [G.R.]Locais: João Guimarães Rosa / Guimarães Rosa (1908-1967) / Guimarães Rosa / João Guimarães Rosa (Biografia) / Grande Sertão: Veredas / João Guimarães Rosa: sua HORA e sua VEZ /
O LUGAR DO CRIME

Para além da sombra
os teus olhos denunciam-te,
imagino-te límpida
como um mapa estendido
pelo assombro ,pelo desejo.

Considera-te morta
meu amor
pois isto é um assalto.
Os teus lábios ou a vida.



Luis Garcia Montero

sábado, novembro 20, 2004

PORQUE RAZÃO PUBLICITO EXPRESSAMENTE OS LIVROS DA ASSIRIO?
PORQUE SIM!!!!

PORQUE SÃO AMIGOS QUE LÁ ESTÃO, E AINDA POR CIMA FAZENDO UM ÓPTIMO TRABALHO.
E também porque é dificil para um bibliófilo não gostar de obras "bem tratadas",sobre todos os pontos de vista.
Traduções impecáveis,textos cuidados ,uma linha editorial interessantissíma .Capas
estéticamente muito conseguidas.
E os grandes poetas do rectângulo+ilhas e não só!

PS; Não recebo comissão.


f greg
Apoio com veemência a entrada de Marrocos para a UE.

Com a politica de subsídios da UE para NÃO criar porcos, MARROCOS vai ser a Arábia Saudita da não criação de porcos.
Vou para lá! Agora é que vou ficar rico!!!




se não percebeu.......lei o post mais abaixo!!

f greg

OGE e injustiça social

Baixar impostos, só depois da consolidação orçamental. Esta é uma ideia chave, segundo o Público, transmitida por Manuel Pinho, o novo porta-voz do Partido Socialista para os assuntos económicos, no final da segunda reunião do Conselho Económico, estrutura consultiva do principal partido da oposição.
O Orçamento de Estado (OGE 2005) da maioria de Direita, reduz o peso dos Impostos sobre o Rendimento (Impostos Directos), enquanto aumenta o peso dos Impostos Indirectos, mais injustos porque “cegos”, tributando de igual forma ricos e menos ricos.
Ao mesmo tempo, o OGE, diminui significativamente o peso do Estado com as funções sociais (Educação, Saúde, Segurança Social, Serviços Culturais, etc.), numa estratégia sistemática de privatização de alguns “grandes negócios” que atá agora estavam na mão do Estado.
O OGE, prevê uma série de vendas e privatizações de património público (e não só: o fim das SCUTS e o pagamento de portagens em estradas onde nunca se pagou antes é, por exemplo, um novo imposto indirecto); O OGE prevê uma actualização insuficiente dos escalões e o fim de uma série de benefícios fiscais que tinham até hoje impacto importante não nas grandes fortunas, ou nas grandes empresas, mas sim no segmento dos trabalhadores por conta de outrem com rendimentos médios…
É um típico orçamento de Direita, que agrava a injustiça fiscal e reduz o peso das despesas sociais do Estado, tão importantes para o desenvolvimento e para a equidade… e tudo o que este novo PS diz – na figura deste porta-voz – é que ainda não temos consolidação orçamental?! Quem é que Sócrates vai convidar para o Governo? A Manuela Ferreira Leite?



do blog http//graodeareia-attac.weblog.com.pt
O Delicioso naco de prosa sobre a não criação de porcos, foi-me enviado pelo amigo Alfredo Gomes.

Já agora ,porque não se fazem acções de formação sobre a não criação de porcos!!?
Circulam por aí formadores com acções muito menos estimulantes!!!!

fer.greg

O MELHOR É NÃO CRIAR PORCOS!!!!

Subsídios europeus

Tradução de uma carta (VERDADEIRA!) recebida recentemente pelo Comissário Europeu da Agricultura.


Senhor Comissário da Agricultura, O meu amigo Robert, que vive na Bretanha, recebeu um cheque de 100.000 EUR da UE para não criar porcos estes ano. Por essa razão eu estou a pensar entrar no programa de não-criação de porcos no próximo ano. O que eu gostaria de saber era qual é a melhor quinta possível para não criar porcos e também qual a melhor raça a não criar. Gostaria de não criar Javalis, mas se eles não forem uma boa raça para Não criar, fico igualmente satisfeito se puder não-criar uns Landrace ou uns Large White.
O trabalho pior neste programa parece-me ser manter um inventário preciso do número de porcos que não criámos. O meu amigo Robert está muito entusiasmado quanto ao futuro do seu negócio Criou porcos durante mais de 20 anos e o máximo que tinha conseguido ganhar foram uns 35.000 EUR em 1978... até este ano, que recebeu o tal cheque de 100.000 EUR para a não criação de porcos.
Se eu posso receber um cheque de 100.000 EUR para não criar 50 porcos, então receberei 200.000 EUR por não-criar 100 porcos, etc? Proponho-me começar por baixo para depois chegar a não criar uns 5000 porcos, o que significa que receberei um cheque de 10.000.000 EUR para poder comprar um iate e para outras necessidades urgentes. Mas há outra coisa: os 5000 porcos que eu não criarei deixarão de comer os 100.000 sacos de milho que lhe estão destinados. Entendo, portanto, que irão pagar aos agricultores para não produzir esse milho. Isto é: receberei alguma coisa para não produzir 100.000 sacos de milho que não alimentarão os 5000 porcos que não-criarei? Pretendia começar o mais cedo possível, porque parece que esta altura do ano é a mais propícia à não-criação de porcos.

Com os melhores cumprimentos.


PS: Mesmo estando implicado no programa poderei criar uns 10 ou 12 porcos para ter algum presuntito para dar à família?


assinatura ilegível

MAIS UMA VEZ DEPOIS DO POEMA DE SYLVIA PLATH ,EXISTE UM ESPAÇO EM BRANCO.

FAÇA PASSAR O LENÇOL E ENCONTRARÁ O RESTO DO BLOG.


AS DESCULPAS DA GERÊNCIA!!!!
A MAIOR PARTE DA OBRA TRADUZIDA EM PORTUGUÊS DE SYLVIA PLATH
ESTÁ PUBLICADA NA
ASSÍRIO & ALVIM

SYLVIA PLATH

PALAVRAS


Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!
Os ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorrando como pranto,

Como
A água lutando
Para repor o seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
O crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
E o bater dos cascos, incansável.
Enquanto do fundo

Do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

(tradução de
Ana Cristina César)



























































































sexta-feira, novembro 19, 2004

MANIFESTAÇÃO CONTRA AS PORTAGENS

Os algarvios ,deixaram muita gente espantada, (a começar por eles próprios...........!!),pela sua participação quase massiva na manifestação anti-portagens. Ninguém acreditava que fosse possível uma tal mobilização da região.
Câmaras Municipais, empresas,associações comerciais, todos os partidos politicos ,de "A"a "Z",enfim toda uma mobilização, como não se via há muito tempo na região.
Toda esta capacidade de organização ao serviço da luta contra as medidas arbitrárias da capital do Norte,(Lisboa) que se esquece com frequência de olhar a sul (Alentejo incluido.....é claro!).
Agora já só falta aos algarvios mobilizarem-se e fazerem frente ao, "inimigo interno",inimigo mais difuso e tentacular, que vai fazendo as suas tropelias pela região ,desfeando aniquilando e esmagando o que sobra de interessante na região, tudo isto a troco de benesses aos patos-bravos e a empresários sem escrúpulos. Eles não vão parar enquanto não degolarem a "galinha dos ovos de ouro".

fernando gregório
FELICIDADE


Um arrependimento,
ou um pretexto
para uma canção
onde tudo começa
de novo,
como um cigarro
murmurado
entre os lábios,
é a felicidade esta certeza
de poder repetir tudo isto
vezes e vezes sem conta

Amaldiçoa no entanto
da tua janela o lado sombrio
do dia
e se puderes desata
rápidamente o cão melancólico
das tuas certezas.

Fernando gregorio

quinta-feira, novembro 18, 2004

TALVEZ A HISTÓRIA SEJA "CIRCULAR"!!



e-mail enviado pelo Alfredo, daqui um abraço!!




«O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes, estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»


Isto foi escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As Farpas.

Desventuras de um bibliófilo em período natalício.



A quadra natalícia é o pesadelo dos viciados na arte de bem observar as estantes das Livrarias. Refiro-me aos bibliófilos profissionais ou os que para lá caminham.
Nós os guardadores desses templos, por vezes administrados por gente que podia perfeitamente estar a vender batatas ou grelos, sentimo-nos por vezes incomodados pelo facto de um livro ser só mais “um objecto vendável” . O bibliófilo consagra na sua discreta vigilância um papel semelhante às antigas vestais.
Não sei se estão a compreender, mas o bibliófilo olha para os livros com o respeito que se deve ao “Fogo Sagrado”.
Ele toca nos livros de uma maneira claramente diferenciada. Pegar num volume de Mussil ou de Hesse , não é a mesma coisa que tomar o peso do papel desaproveitado num livro com o titulo, “Marioscas e Cristãs”ou “Eu conheço uma estrela de rock-e ele não me liga”.Apesar de tudo, estes volumes tornam em geral a exploração do bibliófilo mais estimulante,(é como se fossem as lianas a cortar para poder chegar ao mais aromático sândalo das obras de Joyce ou de Ernesto Sábato), as estes obstáculos naturais, já o bibliófilo está habituado, como bom e persistente explorador.
O pior é a invasão em período natalício. Gente que vem aos magotes perguntando-se entre si no meio da algazarra: “Tu achas que ele gosta disto? Será que já leu? E se comprássemos um manual de cozinha tradicional do Gabão???”
Com coisas destas o verdadeiro amigo do livro começa claramente a descompensar e a perguntar-se “Acho que vão perguntar se vale a pena comprar 2 quilos de policiais”.Tal pensamento ultrapassa a heresia , sendo que de seguida o traumatizado amigo do livro começa de imediato a medir os passos entre a estante a que pretende inutilmente aceder ,(está frente à mesma um individuo que é como uma parede com cabeça, pernas e braços) e a porta de saída.
Finalmente decide-se pela retirada e sai tropeçando na fila que espera que lhes embrulhem os livros comprados por atacado em papéis coloridos com fitinhas vermelhas e estrelinhas douradas. Finalmente chega à rua, fuma um cigarro e decide procurar em casa um tal livro que está lá, mas que tem a certeza que não vai encontrar.



fernando gregório

Numa atitude inconcebivel a Câmara do Porto estigmatiza familias inteiras muitas das vezes sem qualquer fundamento. Um só objectivo! Criar mais umas centenas de sem-abrigo!
PORQUÊ!!!

Num total de 50 despejos efectuados pela Câmara do Porto em vários bairros municipais apenas quatro estão relacionados com suspeitas de uso da habitação para tráfico de estupefacientes ou comércio paralelo.
A conclusão consta do relatório final elaborado pela comissão eventual de acompanhamento dos despejos municipais, que foi formada para analisar os despejos efectuados pelo actual executivo, constituído pela coligação de maioria PSD/CDS-PP, desde a sua tomada de posse até Março passado.
A comissão, composta por representantes dos diferentes partidos com assento na Assembleia Municipal, foi formada por iniciativa do Bloco de Esquerda (BE), na sequência da polémica desencadeada pelos despejos de dezenas de famílias no Bairro de S. João de Deus.
Na altura, o então vereador da Habitação e Acção Social, Paulo Morais, justificou a recusa em atribuir casas sociais àquelas famílias com a necessidade de impedir que as mesmas espalhassem o tráfico de estupefacientes na cidade.
Uma argumentação que o relatório fez agora desabar por terra, sem que Paulo Morais peça desculpas públicas humildes aos moradores do Bairro de S. João de Deus pela forma como os estigmatizou para justificar o volume de despejos que efectuou. Tanto mais que a autarquia desempenhou o papel de "juiz e carrasco destes moradores", como diz Alda Macedo, porquanto lhes negou o direito à habitação, "sem que nenhum tribunal os tivesse previamente condenado".

Brussels Tribunal

ACONSELHO

A todos os que ainda se guiam por principios éticos ,aconselho a consulta do site:www.brusselstribunal.org .
A informação sobre o site foi-me enviada pelo meu velho amigo, Pedro Caldeira, (não ,não é esse em que estão a pensar!.......é outro.........que está nos antipodas desse!)Um forte abraço para ti Pedro!


Aqui vai um cheirinho!!


The BRussells TribunalPeople vs Total War IncorporatedSábado 17 de Abril 2004
Na tradição do Tribunal Russell sobre a guerra do Vietname, criado em 1967, e dos trabalhos do Tribunal Permanente dos Povos e de outros tribunais semelhantes, como o que teve lugar em Bruxelas em 1991, o Brussells Tribunal reuniu entre 14 e 17 de Abril 2004. Este tribunal marca a sessão de abertura do Tribunal Mundial sobre o Iraque (the World Tribunal on Iraq), que compreenderá uma série de sessões e culminará numa sessão final em Istambul em 2005.
O Brussells Tribunal centrou os seus trabalhos nos programas e nas políticas elaboradas pelo «Project for the New American Century» (PNAC - Projecto para um Novo Século Americano), um grupo de reflexão fundamentalmente influenciado pelo pensamento neo-conservador, que defende a ideia de uma hegemonia mundial dos Estados Unidos, principalmente por via da ameaça ou da utilização do poderio militar.O Tribunal funcionou em termos de uma comissão de inquérito. O seu objectivo foi o de determinar se existe uma ligação entre as propostas do PNAC e a estratégia da actual administração norte-americana em matéria de política externa e de defesa, e, ainda, com a invasão e a ocupação do Iraque. A Comissão também examinou o impacte dos programas e políticas elaborados pelo PNAC sobre a estabilidade e a segurança das relações internacionais.
Para chegar às suas conclusões e para elaborar o seu relatório, a Comissão ouviu os depoimentos de especialistas em relações internacionais e de testemunhas especialmente inteiradas das condições de vida actuais no Iraque. A Comissão também se fundamentou nos relatórios do PNAC, em documentos oficiais da administração norte-americana, bem como em alguns testemunhos escritos.

quarta-feira, novembro 17, 2004

«Talismã», Carlos Alberto Machado

Assírio & Alvim.

Ofereces-me uma pedra negra mágica que trazes do norte
e as minhas palavras e as minhas mãos detêm-se sem saber
por quanto tempo irão ficar na soleira da noite e do dia

tacteamos os corpos em busca de memórias adormecidas
ocultas por sucessivas camadas de palavras por dizer
deslizamos para o chão sem resposta e o fumo sobe
equilibra-se em nuvem sobre as nossas cabeças e evola-se
em direcção a uma lua vermelha momentaneamente apagada

ao som do bob marley fazes as malas e partes e eu fico
a arrumar as minhas mãos e as palavras atrapalhadas
no fumo desorientado pela ausência de um ponto cardeal
junto cuidadosamente os teus cabelos rubros perdidos
entranço uma bola de fogo e guardo-a na memória
acendo uma dúzia de paus de incenso e imagino uma igreja
de adoradores do silêncio que escorre por entre as preces

a tua pedra negra regressa à minha mão fechada
e ilumina como um sol a minha noite em claro

virás por uma palavra?

terça-feira, novembro 16, 2004

Fallujah

Um soldado americano mata um ferido iraquiano à queima roupa no interior de uma mesquita.
Para aqueles que acreditam em guerras limpas, isto poderá ser um choque, mas esta é de facto a lógica das guerras, de todas as guerras.O mito da guerra limpa não passa disso,de um mito.
Os tempos dos código de honra já lá vão há muito tempo.As guerras "limpas", funcionam em termos dos média quando dos chamados bombardeamentos cirurgicos,e este nome não vem ao acaso, a cirurgia destruidora é vista como uma amputação da parte ,para salvar o todo.
Mas quando a guerra desce ao solo e as câmaras estão lá ,(e os jornalistas têm um minimo de respeito pela sua profissão)a coisa pode ser vista de maneira diferente.
Mercenários enlouquecidos animalizados e mascarados por Tanatos, lançam gritos bárbaros de morte que vêm das profundesas dos tempos.
Os EUA, poderão estar seguros de que contarão nos próximos anos com milhares de estropiados mentais (talvez mais que os estropiados fisicos).
Toda uma geração ou uma importante parte dela, será hipotecada por uma politica condicionada pelos cartéis do petróleo e pelos das armas.
Do outro lado os combatentes que sobreviverem, poderão dizer em voz alta "eu lutei pelo meu povo, eu lutei pelos meus filhos ,contra os invasores que por razões estratégicas e económicas aqui chegaram".

fernando gregorio
Porque neles só acontecem partidas
Quebram-se,por inactividade,
As amarras dos nossos cais.
Dos seus estaleiros desvaneceu-se já
O perfume da madeira cortada.
Agora apenas por lá deambulam
Os odores fortes das recordações
Desses tempos....
Em que ainda não eramos os outros.
Agora, já nem viajamos....
E nem sequer nos apetece sonhar
Com as viagens que nunca faremos.

Desistimos dos astrolábios
pois o acto de nos perdermos
tornou-se uma arte para os
que abandonaram as praias
da infância.
Navegamos assim à vista
com a mágoa daqueles
que têm pouco a perder.
Nas nossas cartas nauticas
a solidão estabeleceu domicilio
no definitivo de um mar
que hospedeiro da mágoa
das palavras que dizemos
nos desviou das rotas
de um tempo âncorado
junto à luz da inocência.


carlos sousa e fernando gregório --------poema a duas mãos

segunda-feira, novembro 15, 2004

Uma pessoa-deveria dizer uma desconhecida-acaricia-te,brinca contigo,é doce contigo e leva-te até junto de um precipicio. Aí ,a personagem diz, ai, ou empalidece.
Como se estivesse no interior de um caleidoscópio e visse o olho que a olha. Cores que se ordenam numa geometria ,uma geometria alheia a tudo o que aceitas como bom. Assim inicia o Outono, entre o rio Oñar e a colina das Pedreiras.



Roberto Bolaño-- Três edt.El Alcantilado


trad.fernando gregório
F.J. Viegas, era um romancista interessante, tendo escrito uma série de romances que mais uma vez provaram que o romance policial pode não ser um "género menor".
Depois ele próprio achou que o "género" não era tão elevado quanto desejava e resolveu escrever um romance com rabis voando sobre bicicletas (o homem quis elevar a coisa!!).
FJV, acabou não se elevando grande coisa e caiu sim com a cara no charco mais próximo!
FJV, é judeu ou gostaria de ser, ou não é judeu e tem inveja dos que são, ou admira os judeus e eles não lhe ligam népia, ou que Deus o perdoe.

Quanto a Israel ,FJV vê maravilhas que só não são mais deslumbrantes, porque existem uns gajos a que chamam palestinianos que têm a mania de estragar as festas dos outros.

Fora isso é a terra prometida com os seus rabinos voadores........mas existem graves problemas filológicos...e por isso FJV zanga-se. Transcrevemos o seguinte do seu Blog Aviz.

ALÉM DISTO. Além disto, que o Alberto Gonçalves anotou, há outro fenómeno: com tantos enviados especiais encartados de filólogos, ainda não explicaram que se diz «Ramala» e não «Ramalá»?# posted by fjv


Fernando gregorio, descendente garantido de marranos .Cujos avós paternos e restantes antepassados ocuparam durante pelo menos 200 anos uma casa no centro da judiaria de Silves. E cuja bisavó dizia para a então jovem avó o seguinte: -Filha, nós temos de rezar (orações cristãs) o dobro das outras pessoas, pois temos nas nossas veias o sangue dos matadores de Cristo.
Apesar de tudo isto tenho referências bem definidas e não suporto nem injustiças, nem colonialismos racistóides musculados, edificados por um significativo sector do povo “eleito”, (onde é que eu já ouvi isto ?).

Viva a Palestina!

APESAR DE TUDO OS BURROS ESTÃO COM SANTANA!!

SUA CELEBRIDADE SANTANA LOPES
Santana Lopes deve «estar que nem pode». Então agora que ele foi para primeiro-ministro é que resolvem pôr no ar a Quinta das Celebridades? Não podia ter sido antes? Não podia ser depois? Reparem: Santana Lopes não teme a disputa do tempo de antena (ele sempre gostou dessas disputas). O primeiro-ministro apenas lamenta que a dignidade do cargo não seja consentânea com a participação no programa. Ali, na chácara dos famosos, sim, é que ele estaria nas suas sete quintas.
A TVI teria prestado um serviço à nação se tivesse adiado o casting para a Quinta uns meses. É que não tenham dúvidas: essas eram as circunstâncias em que Santana abdicaria. RAA 22/10/2004

Do Blog da revista Periférica www.aoestenadadenovo.blogspot.com

FALLUJAH


QUE DEUS NOS PROTEJA DOS LIBERTADORES.....................AMÉN!!!

domingo, novembro 14, 2004

MONÓLOGO DO ESCRAVO

Não serei eu como tu igual em tudo, não seremos nós iguais? Os dois nascemos e crescemos muito perto, os dois respiramos e caminhamos pelas mesmas ruas e vamos aos mesmos bares, e pomo-nos tristes ou alegres por motivos semelhantes, e temos parecidos interesses e parecidos medos, os teus desejos e os teus fracassos não são muito diferentes dos meus.
Mas não, já não sou como tu em tudo. Se falas eu escuto-te, ou se não quero escutar-te vou-me e deixo que te ouçam os outros.
E segues respirando e caminhando pelas nossas ruas e encontramo-nos nos mesmos bares, e pôes-te triste ou alegre. Mas se sou eu quem fala, tu escutas-me e a seguir decides que ninguém deve escutar-me, e a única forma de assegurar-te de que assim suceda é que eu já não respire mais nem caminhe livre pelas nossas ruas, nem volte a ter interesses, nem sequer medos.
Só me permites o medo em relação a ti. Decides que eu não exista.
Não somos iguais, enquanto ainda estiver vivo, nem o seremos depois de eu morrer, não seremos nem mesmo quando tu tiveres morrido. Tu és e serás o meu tirano, e eu terei sido teu escravo.


Javier Marias

FILOSOFIA PROFUNDA, pelos menos estanque até 30 metros

e-mail enviado pelo meu amigo João Cardoso.
Para ele aqui vai um grande "SALVÉ IRMÃO".

FILOSOFIA PROFUNDA


Errar é humano, persistir no erro é americano, acertar no alvo é muçulmano.

*****§*****

Nunca desista do sonho. Se não encontrar numa padaria, procure na próxima.

*****§*****

Qualquer idiota é capaz de pintar um quadro, mas somente um génio é capaz de vendê-lo.

*****§*****

Tudo é relativo. O tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do WC se está.

*****§*****

O mais nobre dos cachorros é o cachorro-quente: alimenta a mão que o morde.

*****§*****

Se emperrar, force. Se quebrar, precisava mesmo de ser mudado...

*****§*****

Roubar ideias de uma pessoa é plágio. Roubar de várias, é pesquisa (ou monografia).

*****§*****

Devo tanto que, se eu chamar a alguém "Meu bem...." o banco leva!

*****§*****

Quando lhe atirarem uma pedra, faça dela um degrau e suba...Só depois, quando tiver uma visão plena de toda a área, pegue outra pedra, mire bem e acerte na cabeça do filho da mãe que lhe atirou a primeira.

*****§*****

Na vida tudo é relativo. Um fio de cabelo na cabeça é pouco; na sopa, é muito!

*****§*****

Eu queria morrer como o meu avô, dormindo tranquilo... E não gritando desesperadamente, como os quarenta passageiros do autocarro que ele conduzia!

*****§*****

Diz-me com quem andas, que eu te direi se vou contigo.

*****§*****

Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam. Não é bonito, mas é profundo.

*****§*****

Errar é humano. Colocar a culpa em alguém, então, nem se fala.














Próximamente o artigo "Desgraças de um Bibliófilo em periodo de Natal".

JAVIER MARIAS

Monólogo del esclavo

¿Acaso no soy como tú en todo, acaso no fuimos iguales? Los dos hemos nacido y crecido muy cerca, los dos respiramos y caminamos por las mismas calles y vamos a los mismos bares, y nos ponemos tristes o alegres por motivos semejantes, y tenemos parecidos afanes y parecidos miedos, tus deseos y tus fracasos no son distintos de los míos.
Pero no, ya no soy como tú en todo. Si tú hablas yo te escucho, o si no quiero escucharte me voy y dejo que te oigan otros. Y sigues respirando y caminando por nuestras calles y acodándote en nuestros bares, y te sigues poniendo triste o alegre. Pero si soy yo quien habla, tú me escuchas y a continuación decides que nadie debe escucharme, y la única forma de asegurarte de que así suceda es que yo ya no respire más ni camine libre por nuestras calles ni vuelva a tener afanes ni tan siquiera miedos. O sólo me permites el miedo a ti. Decides que yo no exista. Ya no somos iguales mientras aún estoy vivo, ni lo seremos cuando ya haya muerto, ni tampoco cuando tú también estés muerto. Tú eres y serás mi tirano, y yo habré sido tu esclavo.


Javier Marías

(Para el acto de homenaje a José Luis López de Lacalle, el 8 de mayo de 2001)

sábado, novembro 13, 2004

ARAFAT outra vez------- Nouvel Observateur


A esperança viva dos Palestinos (12 de Novembro de 2004) Morto quinta-feira 11 de Novembro,o presidente Yasser Arafat terá simbolizado a aspiração dos Palestinos a um Estado nacional e a independência. Nascido o 24 de Agosto de 1929 no Cairo, onde passou a maior parte da sua infância, abandona a universidade do Cairo, em 1948, para participar nos combates na Palestina.
Após a derrota, refugia-se à Gaza e, seguidamente volta ao Cairo em 1950,retomando os seus estudos superiores, que farão de ele um engenheiro de obras públicas. É no Kuwait onde trabalha que funda a Fatah (palavra forjada a partir das iniciais árabes de Movimento de liberação nacional). Esta organização coloca a tónica sobre o papel central dos Palestinos na liberação da sua pátria e exprime a sua desconfiança em relação aos regimes árabes.
Esta visão de Arafat e os seus companheiros explica as relações complexas que o movimento palestino manterá com as diferentes capitais do Médio Oriente. É de resto a derrota do Egipto, a Síria e a Jordânia em frente do Israel, em Junho de 1967, que cria as condições de afirmação da luta armada palestina independente. Yasser Arafat toma a direcção do Comité executivo da Organização de liberação da Palestina (OLP), organização que reune os diferentes grupos palestinos (Frente popular para a liberação da Palestina, George Habache, Frente democrático de liberação da Palestina de Nayef Hawatmeh, Saïka,.
Sem entrar em detalhes sobre a biografia do líder palestino, é importante recordar as grandes vitorias do seu combate. Yasser Arafat terá tido êxito ao fazer reconhecer OLP como o único representante do povo palestino e terá feito desta organização o símbolo da unidade de um povo e o seu desejo de independência; terá tido êxito ao fazer reaparecer a questão palestina e ao mante-la sobre o mapa político do Médio Oriente, apesar todas as tentativas de liquidação,por parte dos regimes árabes (Setembro negro - 1970 - na Jordânia, intervenção síria no Líbano em 1976) que israelianas. Além disso, Yasser Arafat é o primeiro líder palestino a ter tido em conta a situação criada pela emergência do Estado do Israel e a presença de vários milhões de cidadãos judaicos israelitas.
Após ter preconizado, a partir de 1969, um Estado democrático único onde coabitariam judaicos, muçulmanos e cristãos, pronunciou-se a partir de 1974 em prol da criação de um Estado palestino ao lado do Estado do Israel. E convenceu OLP e o seu povo da necessidade deste compromisso. A assinatura dos acordos de Oslo, 13 de Setembro de 1993, confirmou que Yasser Arafat estava pronto para jogar o jogo da negociação e uma solução política.
Retornou à Gaza, instalou a Autoridade palestina, da qual foi eleito presidente, por sufrágio universal, em Fevereiro de 1996. a Sua gestão foi muito contestada, frequentemente a justo título. Tentou, ao longo dos anos, navegar entre má a vontade israelita (continuação da colonização, atraso na aplicação dos acordos de retirada, etc..) e a exasperação crescente do seu povo (que reflecte a subida em força do movimento Hamas). Contrariamente à visão mantida por certa propaganda israelita, Yasser Arafat não recusou, na cimeira de Campo David de Julho de 2000 as, "generosas propostas"do primeiro ministro Ehoud Barak.
Realmente, e aquilo que é confirmado por numerosos observadores, incluindo americanos, presentes nas negociações (ler os artigos do Mundo diplomático sobre o assunto), o plano do Sr. Barak previa que Israel guardaria quase 10% da Cisjordânia, o essencial da Jerusalém-árabe e continuava a ser mudo sobre a pergunta doproblema dos refugiados.
Que o Sr. Arafat às vezes geriu mal a situação criada pelo malogro de Campo David é um facto, que cometeu muitos erros de apreciação também é verdade, mas a responsabilidade primeiro do desmoronamento do processo de paz pertence aos, Israelitas e aoss Americanos, que rejeitaram a criação de um Estado palestino sobre o conjunto da Cisjordânia e Gaza assim como Jerusalém- Leste como capital.
O desencadeamento no fim de Setembro 2000, do segundo Intifada, confirmou a exasperação da população palestina. A eleição do Sr. Ariel Sharon, em Fevereiro de 2001, favoreceu escalada da violência, a destruição de todas as infra-estruturas políticas e civis palestinianas, os atentados-suicídio, etc. Confinado à Mouqata,Yasser Arafat simbolizou nestes últimos meses a recusa dos Palestinos de se renderem ao diktat do Sr. Ariel Sharon. Confirmou o espírito de resistência que anima o seu povo, apesar terríveis de sofrimentos.

O processo de paz poderá ser relançado? O Sr. Sharon e o Sr. Bush repetiram tanto que Yasser Arafat era o principal obstáculo à paz que dever-se-ia, em boa lógica, assistir rapidamente a uma solução.
Os dois líderes comprometer-se-ão nesta via? Seria necessário ainda que aceitassem a única condição para o estabelecimento de uma paz justa, a criação de um Estado independente palestino, em todos os territórios ocupados desde mais de trinta e cinco anos.

Alain Gresh.

O NOVO CONTO BRASILEIRO

Ocaso


Saíamos às tardes para ver o Sol na linha do horizonte... e ela a esboçar o que ainda restava fazer...Dulce era sinônimo de ordem: tudo sempre à mão, dos alfinetes de fralda aos recibos dos dentistas. Eu... bem... quero dizer, deixava a desejar (segundo ela, sempre fui, etimologicamente, um desastre: desarticulado com a harmoniosa ordem cósmica!).Depois de quarenta anos de casados, ela ainda me surpreendia com sua capacidade de planejamento.
Saíamos às tardes para ver o Sol na linha do horizonte, em qualquer estação do ano. No verão, me dava limonada fresca antes de retornarmos à casa. No inverno, um cachecol para me aquecer a garganta.Dulce Mieli era seu nome de solteira. Só me lembro de tê-la pedido em casamento e, depois do aceite, nossa vida em comum.
Ela organizou tudo: da recepção à viagem de núpcias.Os filhos jamais comprometeram nossa vida de casal. Somaram. Um após o outro, até completar quatro. E ela no labiríntico e delicado comando de tudo. Mesmo quando estava desempregado, as celebrações aconteciam sem interrupções, nem economias. Tias, sogra e sobrinhos a agradecer os presentes e mimos, que eu jamais suspeitava tê-los comprado ou, até mesmo, enviado!
Saíamos às tardes para ver o Sol, e Dulce me fazia acreditar ser minha a decisão!Depois, os filhos cresceram e partiram, e nossa vida se tornou ainda mais doce! Primeiro, os piqueniques pelas estradas durante a primavera. Depois, as leituras dos clássicos em alta voz para aquecer as noites de inverno.
Ela lia, e eu ouvia em total fascínio.Compotas alinhadas, filhos criados, jardineiras floridas, mortos enterrados: sensação de plenitude e segurança.Saíamos às tardes...Hoje eu penso: Mieli tem a ver com mel. E mel, com abelha. É claro!
Dulce, a obreira a coletar néctar hexagonalmente organizado: eu, os quatro filhos e ela!
Daí também o ritual diário do Sol nos últimos quarenta anos!Saíamos...Sozinho, não sei o que ainda resta a fazer!



MOACYR MENDES DE MORAIS (56) nasceu em São Paulo, Capital. Bacharel e licenciado em Letras e em Psicologia. Atua em clínica e dirige, há 20 anos, grupos de contos de fadas e de Cultivo da Fala na perspectiva de R. Steiner. Co-autor do blog literário Babel em www.amalgamar.com.br .


ARAFAT

Oiço dizer por aí que depois de Arafat tudo será mais fácil na Palestina. Não posso deixar de rir. Essa mistificação resulta do eco das posições públicas e politicas dos dirigentes sionistas, desde o "troglodita doente, Sharon", até ao "moderado" Perez. É evidente que quem fala de paz em Telavive, mente com todos os dentes da boca, pois continua a promover a criação de novos colonatos e de muros separadores, (Por vezes as vitimas aprendem com os antigo carrascos, veja-se o muro circundante do gettho de Varsóvia), minando assim profundamente qualquer hipótese de resolução pacifica do conflito. Qual a alternativa a Arafat?
O Hamas, Os Mártires de Al-aqsha?

O próximo presidente da Autoridade Palestina se fôr fiel ao seu povo, será obrigatóriamente mal recebido em Telavive, a não ser que traia o seu povo, esse será então o bom dirigente para o criminoso Sharon e seguramente que o Hamas e similares acabarão com ele sem que tenha tempo para aquecer a cadeira da presidencia da Autoridade Palestiniana.
Na Autoridade persistiu no passado a prática comum entre outros dirigentes árabes, ou seja o nepotismo e a corrupção ,alastraram-se no interior da Autoridade Palestiniana. Arafat conciliou e participou por vezes nessa zona obscura da Autoridade. Mas façamos justiça a Arafat, pois a sua acção foi importante para o seu povo.
E se a sua luta serviu para alguma coisa, foi para colocar a catástrofe Palestina na ordem do dia das agendas politicas mundiais.


fernando gregorio

sexta-feira, novembro 12, 2004

"... la poésie est comme le vent,
ou comme le feu,
ou comme la mer.
Fait vibrer des arbres,
des vêtements, brûle des épis,
feuilles sèches, berçe
dans sa montée subite
les objets qui dorment
sur la plage... " ;
jose hierro
nada te podia dizer daquela cidade
porque lá só encontrava o despojado
e as palavras haviam sido transformadas

eram templos desmoronados
ancorados aos corpos

e tudo o que poderia ser dito vagueava
como uma bandeira intimidada


fernando gregorio

quinta-feira, novembro 11, 2004

O FADO EM ALVOR


Sabia eu que o fado é imensamente popular na vila de Alvor. Durante os dez anos que lá vivi constatei que durante o fim-de-semana, dois ou três restaurantes da vila, só pelo facto de apresentarem uma fadista (Quase sempre vinda de Lisboa, e nem sempre de qualidade, mas acompanhada pelo “choro” da guitarra portuguesa), não só enchiam as casas, como chegavam a ter fila à porta.
Também sabia que por vezes grupos de pescadores cantavam desgarradas “à capela” no espaço da lota junto ao cais. Essas desgarradas seguem em geral o modelo da tradição poética das terras do Sul, podendo-se por vezes escutar momentos de pura diversão, já que as quadras são a mais das vezes de sátira, caricaturando os costumes e as idiossincrasias de cada um e de uma maneira bem-humorada.
Mas ontem quando me encontrava junto ao cais fazendo fotografia com
alguns alunos do Clube de Foto da escola, tive contacto com o fado de Alvor no seu estado mais genuíno. Comecei por ouvir uma voz de fadista (por sinal de muito boa qualidade), que vinha de um dos armazéns usados pelos pescadores para guardar as suas artes de pesca, depois de me aproximar deparei com este quadro; Uma velha mulher sentada no chão cantava o fado enquanto iscava o aparelho de pesca, dispondo em seguida os anzóis ao longo da “moldura” do aparelho, enquanto fazia isto, a sua vós elevava-se num fado “à capela” cuja letra falava de “um rapaz que percorria as ruas da vila e que ninguém sabia o que procurava”, entretanto o velho pescador ao lado ia muito lentamente “empatando”novos anzóis às linhas do aparelho.
Eu cá por mim não sei o que o tal rapaz do fado procurava……., mas fiquei no momento com a certeza que eu próprio tinha encontrado o pouco que ainda resta da alma dos pescadores do Sul. Fiquei a conhecer o que poderiam ter sido as vozes dos cantos fenícios, gregos, cartagineses e sarracenos que cruzaram durante séculos estas costas soalheiras ,tão generosas para os Homens, que vinham do Mediterrâneo.

Fernando gregorio

Pulp Fiction

A Arte da Guerra
Texto de Fábio Fernandes
para Marçal Aquino


É assim: enfie a faca sempre abaixo do peito, três ou quatro dedos abaixo do centro. É nesse ponto que fica o diafragma. É o ponto mais macio dessa área, porque não tem osso.
Enfiar um objeto perfurocortante no peito de alguém é algo que só pode fazer quem tem muita força no braço, senão corre o risco da faca ficar presa no esterno, e pra tirar não é fácil.
Mesma coisa nas laterais. Acontece muito com baionetas. Se você enfia a baioneta no flanco de um sujeito, tem que ser abaixo das costelas, na região dos rins. Caso contrário, a ponta fica presa na carcaça do morto e você tem duas opções: ou deixa a arma onde está e corre o risco de uma corte marcial por deserção ou comportamento covarde em batalha — faziam isso muito na França, na época da Primeira Guerra — ou se arrisca a retirar à força e morrer tentando, porque logo vem um compatriota do cadáver e enfia a baioneta nas suas costelas.
E aí começa tudo de novo.
Entendeu? Enfie a faca sempre, mas sempre abaixo do peito. O sujeito vai sofrer, e não vai morrer na hora. Mas sem ar ele não tem força, e vai ficar incapacitado. Aí é só terminar o serviço com calma. E limpeza, que é fundamental.
Entendeu tudo mesmo?

Então pode ir. E não me volte aqui sem a cabeça daquele filho da puta.


in PERIFÉRICA revista a não perder, à venda na FNAC
Abono de Família Cortado a 14% das Crianças

CGTP/IN
20 Agosto 04

Em 1 de Outubro de 2003 entrou em vigor um novo regime de abono de família que veio pôr termo à universalidade do mesmo. Muitas crianças e adolescentes deixaram de ter direito a esta prestação, enquanto grande número doutras viu reduzido o seu montante, em virtude de os seus familiares serem considerados "ricos" pelo Governo PSD/PP.