observarformigas

POEMAS,.....PALAVRAS AVULSAS,....PENSAMENTOS INCOMPLETOS

domingo, outubro 31, 2004

COMUNICADO DOS "VOTE NOWAR"

Debemos profundizar la lucha en los Estados Unidos para traer esta guerra a un final sin condiciones. Es completamente falso insistir que la intervención debe seguir basado en algún argumento humanitario ya que la intervención estadounidense provocó tanta devastación, EE UU ahora debe quedarse para impedir " la guerra civil, " " el caos, " " o un baño de sangre. " Estos eran los mismos argumentos que fueron usados justificar la prolongación de la guerra estadounidense en Vietnam. La única cosa que pasó cuando EE UU finalmente dejaron(abandonaron) Vietnam consistía en que el verdadero baño de sangre se terminó. Es por eso que los miles de personas planifican tomar medidas comenzando el 3 de noviembre y culminando en una acción de masas todo a lo largo de la ruta del desfile Inaugural el 20 de enero en Washington DC.

CLARICE LISPECTOR

"Era doce e bom saber que entre ambos havia segredos tecendo uma vida fina e leve sobra a outra vida, a real.
Ninguém adivinharia jamais que Otávio a beijara nas pálpebras uma vez, que ele sentira nos lábios os seus cílios e que sorrira por isso...Dentro de cada um deles acumulavam-se conhecimentos nunca devassados por estranhos......há coisas indestrutíveis que acompanham o corpo até a morte como se tivessem nascido com ele. E uma delas é o que se criou entre um homem e uma mulher que viveram juntos certos momentos.

Clarice Lispector "(Perto do Coração Selvagem - p.123/124/125)

Uma amostra da prosa sublime de Clarice Lispector. Se nunca leu corra até à livraria mais próxima.Se não tiverem os seus livros ,encomende.A sua obra está públicada em Portugal pela editora Relógio de Água.
Porra os domingos dão-me cabo dos nervos,………….., um gajo depois de acordar……….fica mais de meia hora pensando da inutilidade do levantar-se……..
Pega nele (como se diz aqui no Algarve) e vai dar uma volta,………, as pessoas arrastam-se em casais, ou em grupos um pouco maiores,………mas de um gregarismo à prova de bala. Já repararam que aos domingos o pessoal gosta de andar aos grupos….
……….uma chatice, ……….melhor sozinho só, que sozinho acompanhado,(é o meu lema). Depois é o centro comercial……… onde os grupos de sozinhos fingem estar acompanhados………………e os poucos acompanhados fingem estar sozinhos…,
Os Domingos são complicados até nos passeios na praia………os passeantes estão na praia….como vencidos entre despojos de uma batalha…….recentemente perdida.
Até que venha de novo o Verão…………
Porra como são complicados os Domingos!!!!!


CORPO

não é do corpo
que te falarei

mas sim dos abismos
sobre o vácuo do tempo

não é do corpo
que te falarei

mas sim do silêncioso
vazio devorando o peito

fernando gregório
E foi então que com a lingua
fria e morta na boca cantou
a canção que o deixaram cantar
num mundo de jardins obscenos e de sombras
que vinham fora de horas recordar-lhe
cantos do seu tempo de menino
no qual não podia cantar a canção que queria
a canção que o deixaram cantar
cantou-a com os seus olhos ausentes
com a sua boca ausente
com a sua voz ausente
Então,da torre mais alta
o seu canto elevou-se no oculto
na extensão silenciosa
cheia de ecos movediços
como as palavras que escrevo. Alexandra Pizarnik -trad.fer.gregório

sábado, outubro 30, 2004

Um dia destes vou falar das pernas da Yvete Sangalo, é mais forte do que eu, cada um com as suas fixações. As fixações ,são uma coisa que em geral permanecia secreta .......mas com estas modernices........telemov.........computadores........,tudo se tem subvertido.Antes confessavamos as nossas fixações a um velho amigo entre duas bicas e um cigarro, no café da esquina.Agora os nossos mais íntimos segredos circulam no etéreo.........atravessando campos cidades e mesmo continentes.Enfim sinais dos novos tempos.
As fixações são o luxo intímo e gratuito de muita gente, mas fixar-me nas pernas da Yvete,......é....como dizer,........não estar lá muito longe............ das portas do paraiso!!

fernando gregório

A Primeira História do Brasil-Pero de Magalhães

AS DESCRIÇÕES PORTUGUESAS DE CRIATURAS FANTÁSTICAS NO BRASIL , sec XIV--------------NOS TEXTOS DE PERO DE MAGALHÃES

"Ipupiara quer dizer «coisa má que anda n`água». Esses monstros descritos pelos cronistas quinhentistas, bastante comuns na costa brasileira daquela época, talvez possam ser identificados com o leão-marinho, que é bípede e carnívoro. O Pe. Fernão Cardim, contemporâneo de Gândavo, faz um relato que demonstra como esses seres eram temidos, tanto pelos índios quanto pelos portugueses: «Parecem-se com homens propriamente de boa estatura, mas têm os olhos muito encovados. As fêmeas parecem mulheres, têm cabelos compridos e são formosas; acham-se estes monstros nas barras dos rios doces.
[...] O modo que têm em matar é: abraçam-se com a pessoa tão fortemente beijando-a, e apertando-a consigo que a deixam feita toda em pedaços, ficando inteira, e como a sentem morta dão alguns gemidos como de sentimento, e largando-a fogem; e se levam alguns comem-lhes somente os olhos, narizes e pontas dos dedos dos pés e mão, e as genitálias, e assim os acham de ordinário pelas praias com estas cousas menos.»
Também o Pe. Francisco Soares descreve as fémeas como sereias: «estando eu há pouco tempo na Bahia, [os ipupiaras] mataram seis pessoas, na era de 82 mataram um português dentro de uma canoa, os índios temem-nos muito e quando os vêem ficam assombrados e logo adoecem de imaginação , dizem que as mulheres têm cabelos para cima da cintura, e para baixo são como peixe»."

in notas do capítulo 9 Do monstro marinho que se matou na capitania de São Vicente d`"A Primeira História do Brasil" de Pero de Magalhães de Gândavo, editado recentemente pela
ASSÍRIO & ALVIM

É só demografia meu senhor.........................!!

Porqê a retirada de Gaza?


Israel ,estado que resultou de um exercicio de "engenharia nacional",conhece bem os problemas da demografia.


«Não podemos reinar eternamente sobre milhões de palestinianos que duplicam a cada geração».


Ariel Sharon.

Stefan Zvweig

Tenho tentado ler algumas obras recentemente , lançadas pelos média, com a pompa e circunstância de" obrasquase primas". Fico preplexo,é que para além dos romances "kitch"ou "rosa", circulam uma série de romances "sérios"de qualidade deplorável.Pode-se dizer apenas que são sucessos de promoção e divulgação/distribuição.......e apenas isso.
Peguei na última novela de Mário Claudio,"Gémeos"e fiquei apaziguado.....,escrita trabalhada....roçando o poético.....,personagens densas e claras.........,a criação de uma atmosfera....,o desejo.........uma Lolita,............Ibérica e rural........a decadência de um pintor,os seus tormanto,os seus fantasmas.Muito bom!!

Parabéns à Assirio e Alvim, pela anunciada publicação de "O Mundo de Ontem" de Stefan Zweig, Um livro a não perder.........a Austria e a Alemanha ,ou melhor......o periodo convulso que precede a 1ª grande guerra.........a histeria nacionalista........as nuvens negras do fim de toda uma élite absolutamente genial que Viena produziu no principio do século XX. Um Zweig fazendo a contabilidade de uma vida . Pouco depois o seu cadáver e o de sua esposa seriam encontrados (haviam-se suicidado ), no quarto do casal em Florianópolis-Brasil ,país refúgio do casal depois da tomada do poder na Alemanha pelos Nazis.................
Há um ano tinha falado com o A.L. ,sobre o livro e fico contente pela decisão da A&A, ainda que saiba que não foi resultado da minha conversa,(um abraço amigo para o A.L.).A Antigona começou igualmente, a públicar Zweig,(parabéns).

Não sou por principio contra as portagens nas auto-estradas.Penso que as portagens também podem ter um efeito dissuasor do uso do transporte particular em favor do transporte público e colectivo, com todas as vantagens económicas e ambientais resultantes dessa opção.
O que se passa aqui no Algarve, é que para além de uma EN-125,que deixou de ser uma estrada, passando a ser uma perigosa rua,não existem alternativas aceitáveis à Via do Infante .
O comboio, faz a ligação Lagos-Faro em 1 hora e meia (75 Km)...............é inaceitavel...........


Para subscrever o abaixo assinado ligue para-www.contraportagens.com


PS.a seguir ao poema dedicado à minha mãe ,existe um grande espaço em branco,faça passar o texto, pois o blogue continua.

sexta-feira, outubro 29, 2004

13 de Outubro--------dia da morte de minha mãe


Este é o mês em que a luz vacilou
num armistício de mármore,
poderei esperar perpetuamente
e a casa permanecerá despojada.

Porque o vento derrotou as candeias
onde o sorriso se construiu sobre as cinzas,
não serão as palavras competentes
para florescer sobre a devastação.

Não serão as primaveras nem o fogo
sobre os meus ombros suficientes,
pois este é o mês em que a luz
foi ferida pelo punhal das idades.

Em que o sangue se questionou
demandando a fonte primeira
e a dor superou a luz,
no vazio que me habitou as mãos.

fernando gregório





































































Passou despercebida a intervenção sobre o BORDA DE ÁGUA do ministro dos assuntos parlamentares ,Rui Gomes da Silva, (talvez por ser demasiadamente técnica).
Na segunda feira passada o referido ministro referiu-se à publicação centenária" BORDA DE ÁGUA",nos seguintes termos:
-Não se compreende como uma públicação que destila ódio em relação a tudo o que sempre caractirizou a agricultura do nosso país ao longo dos séculos, continue a sua actividade claramente sabotadora.
-É intolerável aceitar artigos como os publicados este ano, que enganosamente afirmam que os melhores meses para plantar as cenouras sejam os de Abril /Maio, quando toda a opinião pública é unanime em considerar esta informação falaciosa.
-Noutra página da mesma publicação afirma-se que "os nativos de capricórnio não se fazem notar pela sua inteligência".Afirmação claramente acintosa e desonesta, pois como toda a gente sabe sou nativo capricorniano, sendo que só a minha actividade como politico desmente claramente tal afirmação.
-O rábano não deve ser colhido em Maio, como é afirmado por esse "jornaleco", mas sim em Abril,pois é do conhecimento de todos os agricultores,faço notar, de todos os agricultores ,o ditado "Em Abril é baril.
-É inaceitável que orgãos ditos de informação, sabotem inpunemente a politica agricola do país desta maneira e de forma claramente concertada!
-Tenho dito.

fernando gregorio


OS PACIFISTAS AMERICANOS NÃO VÃO PARAR
SEJA QUAL FÔR O RESULTADO DAS ELEIÇÕES NOS EUA



We must deepen the fight in the United States to bring this war to an end unconditionally. It is completely bogus to insist the intervention must continue based on some humanitarian argument that since U.S. intervention wrought so much devastation, the U.S. must now stay the course in order to prevent "civil war," "chaos," or "a blood bath." These were the same arguments that were used to justify the prolongation of the U.S. war in Vietnam. The only thing that happened when the U.S. finally left Vietnam was that the real blood bath ended. That's why thousands of people are planning to take action starting on November 3 and culminating in a mass action all along the route of the Inaugural parade on January 20 in Washington, DC.
Durante este fim de semana,(30,31 e 1 de Novembro), decorre em Lagos uma acção de História ao Vivo.
Toda a parte antiga da cidade se transformará num enorme mercado do séc. XVI. Não vão faltar cavalos e espectáculos à maneira da época, assim como tentativas de reconstituição gastronómica .
Este ano o orçamento duplicou.................
Parabens ao Sr.Presidente da Câmara que em época de "vacas magras"para a cultura e não só.... aposta no apoio às Escolas e às Associações Culturais
A Associação de Eestudos e Defesa do Património Histórico-Ccultural do Conselho de Silves, promove no Sábado dia 6 de Novembro pelas 17h, a conferência,"Imagens da Pérsia e do golfo Pérsico nas fontes portuguesas, 1550-1600", pelo Prof.,Doutor Rui Manuel Loureiro.
A associação do meu amigo Rui a esta iniciativa,garante de ceteza o bom nível de qualidade da mesma.
A não perder.
O Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves ,vai aproveitar o evento para lançar o nº 4 da revista "Xarajîb".
Aproveite por dar um passeio na velha Xelb. De certeza que vai valer a pena.
extrato de poema de AL-MUT´AMID
SAUDAÇÃO A SILVES
Viva Abû Bakr!
saúda por mim, asinha,
os queridos lugares de Silves
e diz-me se a saúdade deles
é tão grande quanto a minha.
..................................................
.............................................

poema de Luis Garcia Montero-trad.F.greg.

Quartos separados.
Está só,
para continuar o seu caminho
mostra-se desligado das coisas.
Enquanto passam os dias
ao fim da tarde pensa no que aconteceu,
só o comove a certeza definitiva
de ter podido viver a sua vida
no seguro acaso da sua consciência,
assim, naturalmente, sem dúvidas
nem bandeiras.

Uma vez disse amor.
E povoaram-se os lábios de cinza.
Também disse "manhã"recusando o presente
e só teve sombras a quem apertar a mão,
fantasmas como saldo final, um caminho de nuvéns.
Solidão,liberdade,
duas palavras que costumam apoiar-se nos ombros
feridos do caminhante.
De tudo cuida
de nada se convence.
As suas pégadas têm hoje a queimadura
dos sonhos vazios.

Não quer pronunciá-lo.
Para continuar o seu caminho aceita
que a vida se esconda num quarto
que não é o seu.
A luz permanece sempre
por detrás da janela.
Do outro lado da porta
costuma escutar os passos da noite.
Sabe que se torna necessário
aprender a viver noutra idade, noutro amor,
noutro tempo.

Tempo de quartos separados.
O Brasil perdeu a oportunidade de receber investimentos internacionais para produção de equipamentos e geração de energia, ao não actuar em favor das fontes renováveis nas discussões realizadas em Bona nos últimos quatro dias.
Esta é a avaliação do Greenpeace, no encerramento do maior encontro intergovernamental já realizado sobre o tema, na Alemanha.
Será que o Lula anda distraido.....................................
fernando gregorio

quinta-feira, outubro 28, 2004

pequena coluna do EL CULTURAL 28-10-2004,pag4

Um conselho para "artistas":Por favor não morram sem consultar, "DICCIONÁRIO DE LAS ÚLTIMAS PALAVRAS" (SEIX BARRAL), do alemão Werner Fuld e isto se querem ter um epitáfio decente.Para que a "parca"não vos apanhe com a imaginação em baixo, vá-se treinando a partir de agora e consultem a divertida obra de Fuld, uma antologia das últimas palavras de nomes como-BYRON,FLAUBERT,MARCO AURÉLIO e HEGEL, entre outros- que poderão servir-lhes de inspiração, se não forem muito inventivos até podem copiar,para que não vos aconteça o que sucedeu a Walt Whitman, tão preocupado com um belo epitáfio, que perante a falta de inspiração, morreu exclamando:....MERDA!!.

LUIS GARCIA MONTERO

Poeta Granadino de que gosto muitíssimo.......

PROBLEMAS DA GEOGRAFIA PESSOAL

Não sei despedir-me de ti, sempre fico
com o frio de alguma palavra que não te disse,
com um mal entendido que temer,
este insidioso vazio da inexistênciaa
que por vezes,gota a gota,se converte
em desespero.

Não sei despedir-me de ti, porque não sou
aquele viajante que cruza a multidão,
e que vai de aeroporto em aeroporto
ou que olha o trãnsito na direcção contrária
percorrendo a cidade a que chegaste

Não sei despedirme de ti,porque sou
um cego tacteando o túnel
da tua mão, tacteando teus lábios
quando dizem simplesmente adeus,
um cego que tropeça em mal entendidos
e nessas palavras
que os mal entendidos não podem pronunciar.

Amante inábil
que nunca pode distanciar-se de tudo o que és.
Neste insidioso vazio da inexistência,saio de mim
caminhando para o nada.


trd.fer.greg.
p.s.Os editores portugueses ainda não descobriram este poeta!
Enfim! Distracções!

Fico impressionado com Paes do Amaral, mentir com um sorriso nos lábios não é para todos!
Promiscuidade ,poder politico/média no seu esplendor (ia dizer máximo esplendor, mas é sempre possível pior,ou melhor dependedo do ponto de vista).
Tenho cada vez mais dificuldade em aceitar tanta merdisse.................poder............dinheiro ..................tudo justificam......vender a avó!

Vontade de fugir.....................................................para onde!?................encurralado!................
Talvez o deserto.........................ou uma gruta na montanha. Virar bombista!?..........talvez!

poema de Luis Garcia Monter

Problemas de geografía personal

Nunca sé despedirme de ti,
siempre me quedo con el frío
de alguna palabra que no he dicho,
con un malentendido que temer,
ese hueco de torpe inexistencia
que a veces, gota a gota,
se convierte en desesperación.
Nunca se despedirme de ti,
porque no soy el viajero
que cruza por la gente,
el que va de aeropuerto en aeropuerto
o el que mira los coches, en dirección contraria,
corriendo a la ciudad en la que acabas de quedarte.
Nunca sé despedirme, porque soy un ciego
que tantea por el túnel de tu mano y tus labios
cuando dicen adiós,
un ciego que tropieza con los malentendidos
y con esas palabras que no saben pronunciar.
Extrañado de amor,
nunca puedo alejarme de todo lo que eres.
En un hueco de torpe inexistencia,
me voy de mí camino a la nada.

quarta-feira, outubro 27, 2004

Declaração do Partido da Esquerda Europeia
O Partido da Esquerda Europeia, esteve reunido em Roma nos dias 23 e 24 para discutir o Tratado Constitucional, que será assinado no dia 29 pelos governos europeus. Podes encontrar aqui o texto da declaração do PEE, que apresenta as razões para a rejeição do Tratado Constitucional, e que foi ontem aprovado numa reunião das direcções dos partidos representados na Esquerda Europeia.(O BE participa como observador)
Declaração do Partido da Esquerda Europeia
Durante toda a primeira metade da semana passada, Algeciras viu chegar mais uma vez, milhares de veiculos fazendo fila para o ferry que os transportará até Tânger.
Toda uma silênciosa azafama paira ao longo dos veiculos que esperam o ferry, os tapetes por terra ,as familias sentadas tranquilamente junto ao campig-gaz que aquece a água para o chá mouro.As crianças das diversas familias brincam entre elas,enquanto os pais fumam tranquilamente os seus cigarros enquanto acomodam de maneira mais consistente a avultada bagagem que trazem presa ao tejadilho.
Qual a razão de tal "migração de curto prazo", é que o Ramadão está aí a chegar e quando a lua nova mostrar a pequena linha luminosa que dará origem ao crescente começará o mês sagrado.
Vêm a casa para passar o Ramadão com familia e os amigos.
O Ramadão, sobretudo nas aldeias é uma festa, e felizmente falo de experiência própria. A seguir a um dia que se arrasta na modorra sarrraçena em que todos se poupam o mais possível (faz falta o cigarro, faz falta a água, impera uma fome contida de que ninguém fala).
Finalmente chega o fim da tarde e o muzzein assinala o fim do jejum.
É então que começa a festa e na aldeia quem quizer dormir à noite que se desengane, pois chegou a festa que se instala com armas e bagagens ao longo de toda a noite.
Grupos de tocadores de tambor não param toda a noite, ou melhor ,param para comer os doces que lhes são oferecidos, as mesas estão postas na rua e os passantes sejam eles quais forem são convidados de honra.Os cânticos prolongam-se pela noite fora, as conversas animam-se à passagem de um grupo de tocadores de flauta e na travessa perto do centro da medina um grupo de cerca de dez mulheres dança frenéticamente.
É impossível dormir e a aldeia vive momentos de estado de graça. Detenho-me junto a uma senhora que me oferece uma generosa fatia de bolo de Ramadão, fico espantado quando o provo,pois é exactamente igual ao folar de Páscoa de Tavira ......sinto-me em casa e esqueço o sono que é muito.
Por fim deito-me por volta das 4h da manhã ,e já na cama chego à conclusão que não deve existir melhor "limpeza de cabeça"para aqueles que chegaram dos paises do "cada qual por si e o resto que se lixe"...........
Adormeço apaziguado depois do primeiro chamamento do muezzim. A paz caiu novamente sobre a aldeia.
fernando gregorio
La Red Feminista inicia una campaña de envío masivo de mensajes de protesta al presidente del Parlamento Europeo con motivo del reciente discurso claramente sexista y discriminatorio, realizado por Rocco Buttiglione, futuro comisario de política de justicia, libertad y seguridad en el Parlamento Europeo.
En su discurso Buttiglione, incluye afirmaciones referidas al rol social de las mujeres y su posición en el seno de las familias, evidentemente sexistas y que atentan contra los derechos de las mujeres.

Proponemos:
Que enviéis por correo electrónico, el texto adjunto, a la dirección del Presidente del Parlamento Europeo:
http://www.europarl.eu.int/petition/petition_es.htm
--------- --------- ---------
//////////chove, a natureza por vezes ainda segue o seu caminho!///////
POEMA DE PERE GIMFERRER


Os guerreiros augustos já são sombras.
À sombra do velho carvalhal.
Negra crepita a noite.
Chicotes, uivos, remotos raios.
Chiam os corvos no cego poço.
Guiaram o manso corcel de gelo.
A tempestade. O sol verde das águas negras.
Não me reconheço. É agora um lago o peito morto.
Baixela dourada, negro cadafalso do dia.
Meu corpo como a corda de um arco.
Já trabalha o Inverno, quando rasga.
As cortinas, teatro das águas.
Mascarando-se atrás das neblinas.
Negro archeiro detém teu passo.
Petrifica-se o guerreiro de azeviche.
A seta conhece já o seu caminho.
Palmo a palmo medimos o fosso.
A lama e as folhas davam-nos a cama.
Arde e arde a luva de oiro do archeiro.
A lagoa de neve e açafrão.
Nunca pensaste que tão branca fosse.
Agora vêm as hostes, lá do céu as hostes vêm.
Verde do carvalho nos olhos vazios,

de cal cheios.


terça-feira, outubro 26, 2004

Sei que não voltarás,
pois quebrou-se a taça de ouro
que transportava os despojos
dos dias em que nos amamos

Ergo agora a minha adaga,
e parto com os meus guerreiros
incapaz de lhes ocultar a desfeita
de ter-te perdido

poema à maneira dos poetas do Al Andalus-fernando gregorio

PERE GIMFERRER

CONJURO

Los guerreros más augustos ya son sombras
bajo la sombra del viejo encinar.
Cárdena crepita la noche.
Latigazos, ladridos, remotos rayos.
Chirrían las cornejas en el pozo ciego.
Guiarán al manso corcel de hielo.
La tormenta.
El sol verde de aguas negras.
No me conozco.
Es un lago el pecho muerto.
Bajel de oro, cadalso prieto del día.
Mi cuerpo, como la cuerda de un arco.
Ya labora el invierno, cuando rasga las cortinas,
teatro del mar.
Se enmascara tras las nieblas densas.
Arquero negro, detén tu paso.
Petrifícase el arquero de azabache.
La saeta conoce el derrotero.
Palmo a palmo mensuramos la fosa.
Fango y hojas nos daban la yacija.
Arde y arde el guante de oro del barquero.
La laguna, de nieve y azafrán.
No pensabas que fuera así de blanca.
Ahora vienen las huestes.
Cielo allá,las huestes vienen.
Verdor de la encina
en los ojos vacíos, de cal llenos.


"O governo de Santana Lopes é de pão e circo"

Francisco Louçã (A Capital -25-10-04)


Com 20%da população a viver abaixo do limiar de pobreza, eu dira mesmo que é um governo de "pouco pão e de circo com palhaços de péssima qualidade".

f.greg

DUAS VERSÕES DE "retoque"DE UM POEMA

AL MU´-TAMID

AUSÊNCIA

repeles-me!
porque deixas a minha alma abandonada?

se a uma longa noite é a tua ausência
que o nosso abraço de amor
seja a alvorada!


AL´-MU-TAMID---séc.X da éra cristã

absolutamente belo e moderno...............não é?
f.greg

AUSÊNCIA

repeles-me!
porque deixas assim a minha alma
abandonada?

se a tua ausência é uma longa noite,
que o nosso abraço de amantes
seja a alvorada!

AL-MU´TAMID

É impressionante a modernidade deste poema curto do grande poeta do Garb-Alandaluz,sobretudo se nos lembrarmos que foi escrito no século X da era cristã........
f.greg
Perdi-me espontaneamente
Reverenciando os atalhos acidentais

O interior do estranho país

O abandono

Cantarei as batalhas subterrâneas
Cantarei o indecifrável
Cantarei a descortesia dos dias

Escolhi nos mares remotos
O mais ignoto recato
O plausível privado
O absoluto

Inúteis são os archotes
Escusados os festejos
Na obscuridade que se avizinha




BARRAGEM DE ODELOUCA ;SIM OU NÃO!!!

O problema da água continua na ordem do dia e o Algarve não é excepção.No momento em que escrevo este "post",a barragem do funcho está a 15%, e a barragem do Arade a 36%,e já estamos no fim de Outubro.
Tem sido debatida a necessidade e as desvantagens ambientais da barragem do Odelouca , já vai sendo tempo de se tomar decisão definitiva.
A região algarvia copia em miniatura do todo nacional continua a expandir-se demográficamente ao longo do litoral sem parar .O Algarve desertifica-se no interior de maneira acelerada,continuando o litoral a receber migrantes do interior e das zonas mais deprimidas do Baixo Alentejo. Este modelo de desenvolvimento é condicionado negativamente pelas duas actividades que funcionam quase em exclusivo no Algarve (e de maneira absolutamente caótica),a construção civil e o turismo.
Todo este modelo de desenvolvimento distorcido, continua a aumentar de maneira exponencial o consumo de água (campos de golf,piscinas,agricultura e o aumento do consumo doméstico).
A região necessita cada vez mais de água e a capacidade exploração de lençóis subterrâneos está a chegar ao fim, as infiltrações de água salgada chegam cada vez mais para interior.
Assim a região tem de decidir com urgência quais os modelos abastecedores de água.
Penso que os ambientalistas que questionam a construção da barragem de Odelouca pelo impacto ambiental negativo da mesma, têm de apresentar alternativas . Desta maneira apresentando-se unicamente pela negativa ,sem considerarem e apresentarem as possibilidades amigas do ambiente para resolver o problema, arriscam-se a serem vistas como parte do problema e não como parte da solução.

fernando gregorio

O LADO BOM DA CRISE..........!!

Têm sido anos difíceis para a economia portuguesa: recessão, empresas a fechar, subida do desemprego, pessoas sem dinheiro, o consumo a descer, o comércio a retalho atrasa-se a pagar ao comércio por grosso, o comércio por grosso não paga aos fornecedores, empresas abrem falência, o desemprego sobe, enfim...
Mas no meio de toda esta crise, com todo o país em recessão, o sector da Banca continua a prosperar e a prosperar, sempre.
O BCP, anunciou que os seus resultados consolidados aumentaram 10% para 346,5 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2004, indo fazer a primeira distribuição intercalar de dividendos da história do Banco.
Quem disse que a vida está difícil? Só quem está do lado errado da barricada.


blog-grãodeareia-ATTAC

segunda-feira, outubro 25, 2004

VLADIMIR MAIAKÒVSKY

BLUSA FÁTUA

Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.

Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde das minhas primaveras!
"Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar rimas veras!"

Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, estende-me as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
afiados e precisos para palitar dentes!

Fêmeas, gamadas na minha carne,
e esta rapariga que me olha com amor de gêmea,

cubram-me de sorrisos,
que eu, poeta, com flores os bordarei na blusa cor de gema!
(tradução:
Augusto de Campos)

O VELHO GRINGO

O velho Gringo - romance de Carlos fuentes

Não direi que é um romance indespensável. No entanto vale a pena ler "O velho gringo"não só pela sua estrutura narrativa, mas também pelo resultado invulgar de um exercício de distanciamento.
Passo a explicar; Partindo do principio de que se vê melhor e mais objectivamente do "lado de fora",Fuentes constroi sólidamente dois personagens yanques que pelas mais variadas causas se encontram no México em plena revolução Zapatista.
Básicamente Fuentes desenha duas linhas narrativas que têm como epicentro os dois Yanques,as suas contradições, as suas tempestades psicológicas. Fuentes tece a partir dos dois norte americanos uma fina trama de coflitos emocionais e psicológicos usando "flash-backs" e as descontinuidades cronológicas, usando por vezes, "as vozes interiores"com uma mestria e uma leveza notável.
Interessante é também a dicotomia e o contraste entre os U.S. e o México, duas civilizações que estão geograficamente próximas e contudo tão culturalmente distantes. Nesse exercício a figura do general Arroyo é paradigmática. Arroyo representa o México no que de telúrico possui, o México das "fiestas de muertos",o México de uma cultura de aparente irracionalidade, de impulsos de vida/morte, conjugadas numa única palavra,ou pelo menos num único sentimento de fúria/apaziguamento, onde a violência da colonização hispanica não consegue demolir toda uma construção de mitos indigenas, que mais tarde se associaram construindo uma formidável cultura mestiça e sincrética.
Todos os elementos em jogo são catalizados pela revolução Zapatista, que mostram o que o México é de facto, uma nação nascida da permanente contradição e que a assume abertamente. Um livro a ler, quanto mais não seja pelo facto de Carlos Fuentes nesta obra se encontrar perante temas que lhe são especialmente caros. A prosa flui como água, apesar da estrutura aparentemente complexa ,transformando-a numa obra interessante para o leitor que quer conhecer Carlos Fuentes.

SE ISTO É PAZ....VOU ALI E JÁ VENHO........!!!

"Os corpos de 49 recrutas do Exército iraquiano foram ontem encontrados à beira de uma estrada, deitados, alinhados, de barriga para baixo, cada um deles com uma bala na cabeça. A macabra descoberta foi feita numa zona mais um menos isolada, na parte oriental do país, perto da fronteira com o Irão. Os soldados terão caído numa emboscada quando regressavam às suas casas depois de terminado um treino. (in Público de 25 de Outubro)"
O Iraque mergulhado no mais profundo CAOS, mas o imbecil do Bush.......diz que o mundo está mais seguro!
Com um mundo "seguro"assim, acho que vou procurar um colete anti-bala nos saldos!
Está circulando o abaixo assinado "iniciativa legislativa de cidadãos" pelo fim do segredo bancário. Essa campanha levanta os temas da distribuição da riqueza, da injustiça fiscal e da fraude dos que mais têm.
Num país onde só 47%das empresas pagam os seus impostos, a carga fiscal cai duplicada sobre os cidadãos que trabalham por conta de outrem.
Situação imoral e inaceitável!

Ela despe-se no paraíso
Da sua memória
Ela desconhece o destino feroz
Das suas visões
Ela tem medo de não poder nomear
O inexistente





Alejandra Pizarnik- (Árbol de Diana)

domingo, outubro 24, 2004

Teixeira de Pascoaes

É noite; ainda vem longe a madrugada...
Noite negra e sinistra, porque é funda,
Qual pego, de água lívida e parada,
Que nos causa terror...
Ó noite morta,
Ó cadáver de treva!
Ó mãos de gelo,
Que pousais sobre o rosto ao viandante,
À luz, já d`além-céu, do sete-estrelo,
Sete lágrimas frias do silêncio...
No meu quarto estou só; medito e cismo...
E cismo, em quê?
Em névoas, claridades,
Penumbras, que se embebem, no meu ser,
Fumos de sobressaltos e saudades...
E um nevoeiro de vozes e rumores
Dilui-me num profundo esquecimento,
E sinto-me abismar, descer... e sonho...
Súbito, acordo.
Quem me fala? O vento.
E tão depressa voa, que meus olhos
Mal o conseguem ver! Ó vento errante,
Para onde vais assim, nesse delírio,
Para que mundo ausente e céu distante?
Eu quisera saber para onde vais,
Quando passas, na sombra, a clamorar...
E, de repente, apagas a minha luz
E perturbas as cinzas do meu lar!
Nem olhas para mim!
Não me conheces!
E lá partes! e nada te demoras,
Espírito febril, fantasma histérico,
Doido que, ao mesmo tempo, ris e choras!
[...]
Teixeira de Pascoaes

sábado, outubro 23, 2004

Perto das casas nocturnas
Nomearei o frio da tua ausência.

Poderá existir uma cidade no exacto
Da tua dimensão.

Sonho as suas ruas.


E o definitivo do teu olhar
Conquistará o segredo dos jardins.

Talvez aí viajemos sem as palavras
que nos explicam a noite.


fernando gregorio



JOSE AGUSTIN GOYTISOLO

Se tudo acontecer outra vez
poderá a coisa complicar-se.

No entanto sou o que os outros
pensam de mim.

Só gosto do prato que o outro come.
Estou farto das camisas que tenho.

Adoro funerais e odeio recitais.
Durmo que nem uma besta.

Por mim os móveis estariam mil anos
no mesmo lugar.
E ás escondidas uso a tua escova de dentes.

Mas não quero que toques no meu pente.
Considero-me forte que nem um carvalho,
mas ando a morrer todos os dias.

Compreendo problemas dificeis
e não sei resolver o que me é importante.
assim serei até à morte:

Já sabes, sou o que chamam maniaco-depressivo.

Explico-te tudo isto
porque se tudo voltar a acontecer,
lembra-te, não me faças caso.

José Agustin Goytisolo------trad. fernando gregório
SI TODO VUELVE A EMPEZAR

porque sino después las cosas se complican
Soy pero todavía de lo que muchos creen.
Me gusta justamente el plato que otro come
aburro una tras otra mis camisas
me encantan los entierros y odio los recitales
duermo como una bestia
deseo que los muebles estén mas de mil años en el mismo lugar
y aunque a escondidas uso tu cepillo de dientes
no quiero que te peines con mi peine
soy fuerte como un roble
pero me ando muriendo a cada rato
comprendo las cuestiones mas dificiles
y no se resolver lo que en verdad me importa.
Asi puedo seguir hasta morirme:
ya ves soy lo que llaman
el clásico maniaco depresivo.
Te explico estas cuestiones
porque si todo vuelve a empezar
no me hagas mucho caso acuérdate.


geovisit();

Questão Candente e de grande importância

O país já não dorme ,ou pelo menos dorme com alguma dificuldade, desde que foi anunciado
que Santana dormira a sexta.O staff da comunicação do dito correu aos média para dizer "não o grande chefe não dormiu a sexta, afirmou o zeloso João Velez....".
O homem zela pela nação noite e dia (mal descança,......coitadinho dele!!!).
Com um governo destes e uma informação assim, onde vamos parar? Começo a convencer-me que a partir de agora e com professores a assessorar juizes tudo pode acontecer.........

fernando gregorio

O GRANDE PAI DAS BANANAS ZANGA-SE!!!

PSD Madeira ameça pôr BE em tribunal07-10-2004

Tendo como base o primeiro tempo de antena do Bloco de Esquerda nas eleições regionais da Madeira, o PSD anunciou um processo crime contra o Bloco de Esquerda.
Uma atitude de desespero do Dr. Alberto João Jardim, o mesmo dirigente que criticava as oposições por não terem sentido de humor e que à primeira brincadeira ameaça com um processo crime

extraido do site do BE ,(excepto o título)

NÃO NOS FALTA NADA!!!

Não nos falta nada Já temos censura.
Já temos agressões policiais.
Já temos quem ache tudo normalíssimo.




Publicado por ruitavares htpp://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/159756.html

sexta-feira, outubro 22, 2004

PRESIDÊNCIAIS USA

Os Estados Unidos são um país muito estranho.
Os políticos e "líderes" fingem ter força, liberdade e até democracia. Mas como podemos ver pelos debates presidenciais e pela história em geral, isso não é verdade. Os debates começaram em Miami, na Florida.
O primeiro encontro não trouxe grandes novidades, mas fez levantar a questão de se o Presidente Bush não teria forjado as suas respostas. O segundo debate presidencial decorreu em St. Louis, Missouri.
O St. Louis October 8th Coalition planeou um dia inteiro de workshops e protestos relativos aos debates e um good bom número de pessoas participou.
Os candidatos, Michael Badnarik, do (Libertarian Party) e David Cobb, do(Green Party), envolveram-se numa acção de desobediência civíl e tentaram entrar nos debates para que o público americano tenha acesso a algum tipo de escolha quando for às urnas.
O último debate em Temple, Arizona, organizado pelo October 13 Alliance juntou quase 1000 pessoas numa marcha.
http://www.indymedia.org/

SUICIDIOS NAS PRISÕES PORTUGUESAS

Em apenas cinco meses, de Janeiro a Maio do presente ano, cerca de 13 reclusos terão cometido suicídio (apenas menos três do que em todo o ano de 2003).
A explicação para este aumento das taxas de suicídio nas prisões portugueses (para além da própria condição de prisioneiro, de pessoa que se vê alienada de uma qualidade essencial da natureza humana, a liberdade) reside na ausência de condições de vida (celas sobrelotadas, ausência de condições higiénico-sanitárias mínimas), bem como na constante repressão e violação dos mais básicos direitos humanos.
Quando os maus tratos, indirectamente ou directamente infligidos, constituem uma prática do dia-a-dia, é normal que o suicídio possa surgir como uma possível opção de fuga a essa crua realidade.
O estudo realizado não faz quaisquer referências a suspeitas de homicídios, que se fazem passar por suicídios e que são um puro indício da existência de um sistema informal de corrupção activa dentro dos estabelecimentos prisionais

indymédia
o centro
de um poema
é outro poema
o centro do centro
é a ausência

no centro da ausência
a minha sombra é o centro,
do centro do poema

A.Pizarnik

No amanhecer que veio de meus olhos
pássaros estáticos no ar são para eles
como que flores nas mãos de um morto
voz dourada no ar
queda de uma arvora aberta
não é verdade o meu pedido de socorro

A. Pizarnik

Não nomear as coisas pelos seus nomes. As coisas têm limites dentados, vegetação
Luxuriante. Mas quem fala do quarto cheio de olhos. Quem morde com uma boca de papel. Nomes que vêm, sombras com máscaras. Cura-me do vazio----disse. (A luz amava-se na obscuridade. Descobri que nada havia quando me encontrei dizendo: Sou eu.)
Cura-me --------disse.
A.Pizarnik

As forças da linguagem são as damas solitárias, desoladas, que cantam através da minha voz, que escuto ao longe. E lá longe, na areia negra, jaz uma menina cheia de música ancestral. Onde está a verdadeira morte? Quis iluminar-me à luz da minha falta de luz. Os ramos morrem na memória. A que jaz acrescenta-se a mim com a sua máscara de loba. A que não resistiu implorou chamas. Ardemos.

A. Pizarnik

INFÂNCIA

Hora em que a erva cresce
na memória do cavalo.
O vento pronuncia discursos ingénuos,
em honra dos lilases,
e alguém entra na morte
com os olhos bem abertos,
tal como Alice no país jamais visto.

A.Pizarnik

Só a sede
O silencio
Nenhum encontro

Cuida-te de mim meu amor
Cuida-te da silenciosa no deserto
Da viajante com seu cântaro vazio
E da sombra de sua sombra
A Pizarnik


Eu nada sei de pássaros,
Nem conheço a história do fogo.
Mas creio que a minha solidão deveria ter asas.
A Pizarnik

Eu nada sei de pássaros,
Nem conheço a história do fogo.
Mas creio que a minha solidão deveria ter asas.
A Pizarnik

Eu nada sei de pássaros,
Nem conheço a história do fogo.
Mas creio que a minha solidão deveria ter asas.
A Pizarnik

CREPUSCULO

A sombra encobre a visão das pétalas
O vento transporta o derradeiro gesto da folha.
O mar alheio e duplamente mudonum verão piedoso pelas suas luzes

ALEJANDRA PIZARNIK

ALEJANDRA PIZARNIK

Alejandra pizarnik nasceu em Buenos Aires ,em 29 de Abril de 1936, numa família de imigrantes do leste da Europa. Estudou filosofia e letras na Universidade de Buenos Aires e ,mais tarde ,pintura com Juan Batlle Planas. Entre 1960 e 1964, Alejandra viveu em Paris onde trabalhou nos “Cahiers”e em alguma outras publicações francesas ,publicou poemas e critica literária, traduziu Artaud, Henri Michad, Aimé Cesairé e Yves Bonnefoy, estudou História das Religiões e Literatura francesa na Sorbonne.
De regresso a Buenos Aires, Pizarnik publicou três das suas principais obras; “Os trabalhos e as Noites”,” Extracção da Loucura” e “Inferno Musical”, assim como trabalhos em prosa como “A Condensa Sangrenta”. Em 25 de Setembro de 1972, quando passava o fim de semana fora da Clínica Psiquiátrica em que se encontrava internada, Pizarnik morreu de uma overdose voluntária de barbitúricos.
Os poemas de Alejandra Pizarnik não se encontram traduzidos em Portugal.

Caminho junto ao rio,
que nasce da perplexidade dos homens,
no interior da única luz que avisto.


Aqui a velocidade é uma religião
que parte à descoberta da palavra
perceptível pelo coração desperto.
São estes os territórios solitários
que habitam o sangue
antecipando a palavra
na invisível força sustida pela terra
perto da ferocidade do céu.


Antecipo o movimento
que incendiou os idiomas!

Este é o país que adormece
oposto ao tempo
e que encontra na ansiedade
a sua peculiar maneira de amar.

São estas as paisagens que morrem
no interior dos que cantam
junto à insegurança das cidades,
e cujo canto floresce
no interior de cada casa.
As mulheres exibem aí o seu pudor
pelo que foi dito
recolhendo a sua própria loucura
no interior do silêncio.
fernando gregório ,

quarta-feira, outubro 20, 2004

José Agostinho Baptista

COMOVEM-ME

Comovem-me ainda os dias
que se levantam
no deserto das nossas vidas.

Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.

Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.

Os seus cabelos são brancos,
pouco a pouco.

Aqui, tudo se resume a algumas tâmaras que
secaram ao sol,longe do orvalho,
das fontes que pareciam nascer de um olhar
turvo sobre a sede da terra.

Comovem-me ainda as palavras que dizias
aos meus ouvidos aprisionados pela música.
Comovem-me as cadeiras vazias, no pátio.

Lembro-me sempre de ti.


terça-feira, outubro 19, 2004

Rimbaud

L'ÉTERNITÉ

Elle est retrouvée.Quoi ?
- L'Éternité.
C'est la mer allée Avec le soleil.
Âme sentinelle,

Murmurons l'aveu De la nuit si nulle
Et du jour en feu.
Des humains suffrages,

Des communs élans,
Là tu te dégages
Et voles selon.
Puisque de vous seules,

Braises de satin,
Le Devoir s'exale
Sans qu'on dise : enfin.
Là pas d'espérance,

Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.
Elle est retrouvée. Quoi ?
- L'Éternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.
no dize-tu-direi-eu
havia um que dizia
quer dizer é como quem diz
que o mesmo é não dizer nada
tenho dito



Alexandre O`Neill
no dize-tu-direi-eu
havia um que dizia
quer dizer é como quem diz
que o mesmo é não dizer nada
tenho dito


Alexandre O`neill

Alexandre O`Neill

AVISO


CUIDADO COM O CÃO
ÃO

ÃO
ÃO

UI
UI

UIÃO
UI

Alexandre O`Neill

segunda-feira, outubro 18, 2004

PARABENS pelos 80 anos !! ramos rosa

Considerado um dos melhores poetas portugueses contemporâneos, António Víctor Ramos Rosa, tem recebido inúmeros prémios e já viu o seu nome apontado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.
A aventura das palavras que é a sua
poesia não deixa indiferentes os que a lêem; o poeta figura em inúmeras antologias estrangeiras, nomeadamente na Europa e América-Latina.
Ao longo da sua obra, estão reflectidos desde o subjectivismo inicial ao cultivo puramente objectivo, elementos neo-realistas, surrealistas, neo-clássicos e neo-barrocos.
Nas décadas de 50/60, foi fundador e co-director de algumas
revistas, colaborador em diversas publicações portuguesas, bem como em publicações francesas, espanholas e brasileiras. Organizou e prefaciou várias antologias. Foi tradutor de algumas obras e publicou vários artigos em diversos jornais e revistas, revelando-se também como ensaísta.
Ler e partilhar a poesia de António Ramos Rosa é entrar numa viagem grátis pelo
mundo perfeito da fantasia que é o da realidade.

ramos rosa

A delicada majestade

Um dia poderás chegar, tu que nunca chegas
porque não és um tu ou porque
chegas sempre em não chegares.
Subi um dia por uma escada silenciosa
e em torno era um pomar branco,
tranquila maravilha e eu senti,
eu vi, adivinhei a divindade amada,
a soberana e delicada majestade.
Que suavidade de oriente, que suave esplendor!
Era o fulgor de um sono límpido, entre olhos verdes,
entre mãos verdes.
E num repouso de oiro adormecido
era quase um rosto Antiquíssimo e inicial.
Contemplava a quietude de um imenso nenúfar
e a fragância era quase visível como um mar entreaberto.
Era um rio detido ou uma tersa nuca
ou um braço estendido que descansa
entre ribeiros primaveris ou era antes a serena felicidade
e era uma boca da terra que não cantava
que não dizia o silêncio ardente
que no peito de espuma cintilava.

António Ramos RosaACORDES, QUETZAL EDITORES1990

poema

Magoados pela máquina do tempo
perdemos a imagem inaugural,
nada da luz que retínhamos
nas mãos, mantém os signos
iniciais

Ruína indolor na rotineira
ordem dos dias,
demandando nas espaçadas ruas
os membros de uma antiga
religião

Rolamos com a rapidez amarga
da indiferença
de quem é cúmplice deste jogo
nublado pelo silêncio

Entramos em casa, e aí deparamos
Com os tortuosos sinais
dos países contraditórios
que inventaram a nossa identidade

inúteis os pedidos de socorro,
inútil a incerteza de ter regressado
a um território futuramente consagrado,
pela delicadeza de cada manhã

Fernando gregório

domingo, outubro 17, 2004

SERÁ?

Será um delírio construído no frio
Onde o cisne negro se cruza
Com a sua própria sombra,
E no seu simples remanso
Anuncia o secreto epílogo?

Será a morte a placidez albergada
Sobre a pedra que nos antecipou,
E que agora retorna
De mãos aprazíveis no dia eleito?

Serão as fontes que voltam
Na sua álgida placidez aquática
Exigindo a minha ausência?