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POEMAS,.....PALAVRAS AVULSAS,....PENSAMENTOS INCOMPLETOS

quarta-feira, outubro 27, 2004

POEMA DE PERE GIMFERRER


Os guerreiros augustos já são sombras.
À sombra do velho carvalhal.
Negra crepita a noite.
Chicotes, uivos, remotos raios.
Chiam os corvos no cego poço.
Guiaram o manso corcel de gelo.
A tempestade. O sol verde das águas negras.
Não me reconheço. É agora um lago o peito morto.
Baixela dourada, negro cadafalso do dia.
Meu corpo como a corda de um arco.
Já trabalha o Inverno, quando rasga.
As cortinas, teatro das águas.
Mascarando-se atrás das neblinas.
Negro archeiro detém teu passo.
Petrifica-se o guerreiro de azeviche.
A seta conhece já o seu caminho.
Palmo a palmo medimos o fosso.
A lama e as folhas davam-nos a cama.
Arde e arde a luva de oiro do archeiro.
A lagoa de neve e açafrão.
Nunca pensaste que tão branca fosse.
Agora vêm as hostes, lá do céu as hostes vêm.
Verde do carvalho nos olhos vazios,

de cal cheios.