Durante toda a primeira metade da semana passada, Algeciras viu chegar mais uma vez, milhares de veiculos fazendo fila para o ferry que os transportará até Tânger.
Toda uma silênciosa azafama paira ao longo dos veiculos que esperam o ferry, os tapetes por terra ,as familias sentadas tranquilamente junto ao campig-gaz que aquece a água para o chá mouro.As crianças das diversas familias brincam entre elas,enquanto os pais fumam tranquilamente os seus cigarros enquanto acomodam de maneira mais consistente a avultada bagagem que trazem presa ao tejadilho.
Qual a razão de tal "migração de curto prazo", é que o Ramadão está aí a chegar e quando a lua nova mostrar a pequena linha luminosa que dará origem ao crescente começará o mês sagrado.
Vêm a casa para passar o Ramadão com familia e os amigos.
O Ramadão, sobretudo nas aldeias é uma festa, e felizmente falo de experiência própria. A seguir a um dia que se arrasta na modorra sarrraçena em que todos se poupam o mais possível (faz falta o cigarro, faz falta a água, impera uma fome contida de que ninguém fala).
Finalmente chega o fim da tarde e o muzzein assinala o fim do jejum.
É então que começa a festa e na aldeia quem quizer dormir à noite que se desengane, pois chegou a festa que se instala com armas e bagagens ao longo de toda a noite.
Grupos de tocadores de tambor não param toda a noite, ou melhor ,param para comer os doces que lhes são oferecidos, as mesas estão postas na rua e os passantes sejam eles quais forem são convidados de honra.Os cânticos prolongam-se pela noite fora, as conversas animam-se à passagem de um grupo de tocadores de flauta e na travessa perto do centro da medina um grupo de cerca de dez mulheres dança frenéticamente.
É impossível dormir e a aldeia vive momentos de estado de graça. Detenho-me junto a uma senhora que me oferece uma generosa fatia de bolo de Ramadão, fico espantado quando o provo,pois é exactamente igual ao folar de Páscoa de Tavira ......sinto-me em casa e esqueço o sono que é muito.
Por fim deito-me por volta das 4h da manhã ,e já na cama chego à conclusão que não deve existir melhor "limpeza de cabeça"para aqueles que chegaram dos paises do "cada qual por si e o resto que se lixe"...........
Adormeço apaziguado depois do primeiro chamamento do muezzim. A paz caiu novamente sobre a aldeia.
fernando gregorio
Toda uma silênciosa azafama paira ao longo dos veiculos que esperam o ferry, os tapetes por terra ,as familias sentadas tranquilamente junto ao campig-gaz que aquece a água para o chá mouro.As crianças das diversas familias brincam entre elas,enquanto os pais fumam tranquilamente os seus cigarros enquanto acomodam de maneira mais consistente a avultada bagagem que trazem presa ao tejadilho.
Qual a razão de tal "migração de curto prazo", é que o Ramadão está aí a chegar e quando a lua nova mostrar a pequena linha luminosa que dará origem ao crescente começará o mês sagrado.
Vêm a casa para passar o Ramadão com familia e os amigos.
O Ramadão, sobretudo nas aldeias é uma festa, e felizmente falo de experiência própria. A seguir a um dia que se arrasta na modorra sarrraçena em que todos se poupam o mais possível (faz falta o cigarro, faz falta a água, impera uma fome contida de que ninguém fala).
Finalmente chega o fim da tarde e o muzzein assinala o fim do jejum.
É então que começa a festa e na aldeia quem quizer dormir à noite que se desengane, pois chegou a festa que se instala com armas e bagagens ao longo de toda a noite.
Grupos de tocadores de tambor não param toda a noite, ou melhor ,param para comer os doces que lhes são oferecidos, as mesas estão postas na rua e os passantes sejam eles quais forem são convidados de honra.Os cânticos prolongam-se pela noite fora, as conversas animam-se à passagem de um grupo de tocadores de flauta e na travessa perto do centro da medina um grupo de cerca de dez mulheres dança frenéticamente.
É impossível dormir e a aldeia vive momentos de estado de graça. Detenho-me junto a uma senhora que me oferece uma generosa fatia de bolo de Ramadão, fico espantado quando o provo,pois é exactamente igual ao folar de Páscoa de Tavira ......sinto-me em casa e esqueço o sono que é muito.
Por fim deito-me por volta das 4h da manhã ,e já na cama chego à conclusão que não deve existir melhor "limpeza de cabeça"para aqueles que chegaram dos paises do "cada qual por si e o resto que se lixe"...........
Adormeço apaziguado depois do primeiro chamamento do muezzim. A paz caiu novamente sobre a aldeia.
fernando gregorio

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home