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POEMAS,.....PALAVRAS AVULSAS,....PENSAMENTOS INCOMPLETOS

segunda-feira, outubro 18, 2004

ramos rosa

A delicada majestade

Um dia poderás chegar, tu que nunca chegas
porque não és um tu ou porque
chegas sempre em não chegares.
Subi um dia por uma escada silenciosa
e em torno era um pomar branco,
tranquila maravilha e eu senti,
eu vi, adivinhei a divindade amada,
a soberana e delicada majestade.
Que suavidade de oriente, que suave esplendor!
Era o fulgor de um sono límpido, entre olhos verdes,
entre mãos verdes.
E num repouso de oiro adormecido
era quase um rosto Antiquíssimo e inicial.
Contemplava a quietude de um imenso nenúfar
e a fragância era quase visível como um mar entreaberto.
Era um rio detido ou uma tersa nuca
ou um braço estendido que descansa
entre ribeiros primaveris ou era antes a serena felicidade
e era uma boca da terra que não cantava
que não dizia o silêncio ardente
que no peito de espuma cintilava.

António Ramos RosaACORDES, QUETZAL EDITORES1990