E foi então que com a lingua
fria e morta na boca cantou
a canção que o deixaram cantar
num mundo de jardins obscenos e de sombras
que vinham fora de horas recordar-lhe
cantos do seu tempo de menino
no qual não podia cantar a canção que queria
a canção que o deixaram cantar
cantou-a com os seus olhos ausentes
com a sua boca ausente
com a sua voz ausente
Então,da torre mais alta
o seu canto elevou-se no oculto
na extensão silenciosa
cheia de ecos movediços
como as palavras que escrevo. Alexandra Pizarnik -trad.fer.gregório

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