observarformigas

POEMAS,.....PALAVRAS AVULSAS,....PENSAMENTOS INCOMPLETOS

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Estrada-POST, futurista


A narcose da viagem segura a minha mão com uma notável indiscrição........... com um saco na outra mão, ………espero um qualquer carro à beira da estrada,……sem conhecer claramente o meu destino…..
estou em Lyon na estrada para Valence (França,) espero os prováveis 40 Km que se estendem à minha frente,…….. ………..pára um alemão, pergunta-me com sotaque, “Valênzia…., Ezpagne….? ………..são só mais 1200 Km…trata-se de um equivoco …….,não penso,….. rapidamente subo para a viatura,……esqueço o equivoco,….. pergunto-me:”e como será Valência?”…..e aí está o asfalto desfilando,……e o que fica para trás………………. ,é como uma 2ª vida percorrida num saboroso vazio,……………num hipnotismo de funambulo que despreza o fio de arame debaixo dos pés,…..a velocidade, ……………….e.o silêncio do condutor,……..numa cumplicidade que dispensa as palavras,………o ronrronar tranquilo do motor,……..uma música de aço,… sobre a partitura negra da estrada,………………paragens em estações de serviço………, que não pertencem aos mapas,…….que são propriedade de uma transumância,………..de um jogo de corre corre a adiar a vida,…..só pela velocidade,………só pela estrada,………só pela estrada,….qual a cidade seguinte? ……………….que importa!........... é só mais uma, como todas as outras,…..como a anterior……………………como a inicial, como a final……. tal como a morte e o nascimento…….. ligados pelo sólido cordão umbilical do asfalto……………………a fuga cega……….a fuga muda…………..a fuga ditada pelo silêncio dos humanos e pela mecânica que os transporta………… a viagem, sim a….viagem!!................... ………………….excelsa droga……………..fugindo da sua própria sombra,…………..até onde?......até onde!?.............não perguntes, não interessa, pois a viagem não é um meio…………a viagem vive, per si, a viagem é o fim em si…..dispensando a qualidade dos meios……………a viagem é a viagem…………sim………é pois isso mesmo!!….tabuletas estranhas,…….. indicações como códigos de morse…procurando naufragos…….. num deserto povoado de desejo…….na sua qualidade……… mecânica……………………..uma dança de dizeres…………………,e de semáforos como bailarinos inúteis…… dançando a sua única dança possível ……perto das portas sedentárias,………………e elegantes jogos de luzes pela noite fora, …….jogos de sonhos,................e cruzamentos de desejos…....com colossos com a forma de camiões, Viena/Turim/Génova/Barcelona/Budapeste…TIR/TIR/TIR/,o sangue das máquinas e das cidades……o alimento das bolsas e dos mercados…… para onde……..como!?....não importa, não são jogos de palavras o meu destino,…..é a distância que conta ……a fuga no espaço circulante,…e a indecisão anterior ou posterior às urbes………o espaço de uma interrogação no remoto, os horizontes insuspeitos………e talvez as cidades….com interrogações em forma de viadutos……..onde encontrarei um oriente ou um norte….ou um espaço ou um sul de sentimentos absolutos e………….de verdades inesperadas….que serão seguramente……… negadas pela seguinte cidade………..



Fernando Gregório