Outro dia conheci um escritor e fiquei a pensar: interessante essa vida de ficar inventando histórias para os outros se distrairem, não é? E, enquanto o escritor falava de si, eu imaginava a sua casa. Devia ter um gigantesco armário só para os grandes livros de capa escura, além de pequenas caixas coloridas para os outros.
Empilhados, no lado direito, dicionários de todas as línguas dos povos e, no lado esquerdo, maços de lápis macios, muito assemelhados a varinhas mágicas. Talvez, pelo chão, salpicassem bastões de cola para grudar palavras ou expressões rebeldes e desobedientes a inúmeros comandos. Pequenos cestos junto às janelas reuniriam linhas invisíveis para alinhavos especiais de capítulos. Sobre o aparador, lunetas, sim, poderosas lunetas para observar detidamente os incipientes sobressaltos e os elaborados questionamentos humanos a serem colecionados em seu coração.
O escritor seguramente teria réguas, ao menos uma dúzia, calibradas em centímetros e polegadas para melhor avaliar a extensão das emoções e perplexidades dos personagens.
E, também, reunidos sobre a mesa de trabalho, pequenos pires com distintos sabores da experiência humana, das muito doces às mais acres, além de estojos de aquarelas para matizar cada diálogo ou encontro do herói com os seus pares. Mapas, claro que sim, repousariam em grandes tubos cromados mapas de diferentes lugares para melhor localizar as possíveis paisagens dos encontros de cada pessoa ou animal de seus textos.
Nas gavetas, inúmeros objetos utilíssimos para o exercício da criatividade verbal: velas de acendimento automático para instantâneas soluções de impasses narrativos, frágeis peneiras para selecionar conteúdos de parágrafos, além dos óbvios cadeados para manter em segurança as futuras tramas de próximos escritos.
Pelas paredes, espelhos cristalinos a refletir, de forma inequívoca, qualquer movimento e emoção de cada personagem, além de inúmeros flocos de algodão para as habituais reflexões silenciosas do literato.
Finalmente, dispersos por toda a casa vasos para diversos estilos de arranjos florais como suporte necessário para saudar a entrada em cena de cada tipo em seus enredos. Imagino a casa de um escritor uma grande cornucópia de saudades e sorrisos a lembrar, a lembrar.
Moacyr-Brasil
Brasil Profundo 3 - Desatino
Empilhados, no lado direito, dicionários de todas as línguas dos povos e, no lado esquerdo, maços de lápis macios, muito assemelhados a varinhas mágicas. Talvez, pelo chão, salpicassem bastões de cola para grudar palavras ou expressões rebeldes e desobedientes a inúmeros comandos. Pequenos cestos junto às janelas reuniriam linhas invisíveis para alinhavos especiais de capítulos. Sobre o aparador, lunetas, sim, poderosas lunetas para observar detidamente os incipientes sobressaltos e os elaborados questionamentos humanos a serem colecionados em seu coração.
O escritor seguramente teria réguas, ao menos uma dúzia, calibradas em centímetros e polegadas para melhor avaliar a extensão das emoções e perplexidades dos personagens.
E, também, reunidos sobre a mesa de trabalho, pequenos pires com distintos sabores da experiência humana, das muito doces às mais acres, além de estojos de aquarelas para matizar cada diálogo ou encontro do herói com os seus pares. Mapas, claro que sim, repousariam em grandes tubos cromados mapas de diferentes lugares para melhor localizar as possíveis paisagens dos encontros de cada pessoa ou animal de seus textos.
Nas gavetas, inúmeros objetos utilíssimos para o exercício da criatividade verbal: velas de acendimento automático para instantâneas soluções de impasses narrativos, frágeis peneiras para selecionar conteúdos de parágrafos, além dos óbvios cadeados para manter em segurança as futuras tramas de próximos escritos.
Pelas paredes, espelhos cristalinos a refletir, de forma inequívoca, qualquer movimento e emoção de cada personagem, além de inúmeros flocos de algodão para as habituais reflexões silenciosas do literato.
Finalmente, dispersos por toda a casa vasos para diversos estilos de arranjos florais como suporte necessário para saudar a entrada em cena de cada tipo em seus enredos. Imagino a casa de um escritor uma grande cornucópia de saudades e sorrisos a lembrar, a lembrar.
Moacyr-Brasil
Brasil Profundo 3 - Desatino

1 Comments:
At 11 de dezembro de 2004 às 20:10,
Anónimo said…
Fernando Gregório, obrigado pela visita e pela citação. Abraços do Moacyr, do Amalgamar.
Enviar um comentário
<< Home