Poemas do livro Cinco Marias
Chega um momento
em que somos aves na noite,
pura plumagem, dormindo de pé,
com a cabeça encolhida.
O que tanto zelamos
na fileira dos dias,
o que tanto brigamos
para guardar, de repente
não presta mais:
jornais, retratos,poemas,
posteridade.
Minha bagagem
é a roupa do corpo. ...
Eu fui uma mulher marítima,
as rugas chegaram antes.
Eu fui uma mulher marítima,
paisagem e pêssego,
uma faísca entre a corda do barco
e a rocha.
Eu fui o que não sou.
Depois que inventaram o inconsciente,
a verdade fica sempre para depois. ...
A mãe orquestrava a horta.
Reservava espaço para ervas
daninhas e seu alfabeto de moscas.
Não mexia na ordem de Deus.
Louvada seja a esmola de uma hortaliça. ...
Acerto o relógio pelo sol.
Percorro as dez quadras de meu mundo.
As ruas são conhecidas e me atalham. ...
Meu medo se interessa por qualquer ruído.
Hoje quero alguém para conversar
enquanto dirijo, baixar os faróis
em estrada litorânea,
enxergar pelas mãos. ...
Fazer as coisas pela metade é minha maneira
de terminá-las.
Fabricio Carpinejar
O poema aqui publicado integra o livro inédito "Cinco Marias"
Carpinejar, Fabrício Carpi Nejar, poeta e jornalista, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS.
Nasceu em Caxias do Sul (RS) aos 23 de outubro de 1972.
É autor dos livros:
As Solas do Sol (Bertrand Brasil, 1998),
Um Terno de Pássaros ao Sul (Escrituras Editora, 2000),
objeto de referência nos The Book of the Year 2001 da Enciclopédia Britânica,
Terceira Sede (Escrituras, 2001),
Biografia de uma árvore (Escrituras, 2002)
eCaixa de Sapatos (Companhia das Letras, 2003)
Cinco Marias (Bertrand Brasil, 2004)
.
Chega um momento
em que somos aves na noite,
pura plumagem, dormindo de pé,
com a cabeça encolhida.
O que tanto zelamos
na fileira dos dias,
o que tanto brigamos
para guardar, de repente
não presta mais:
jornais, retratos,poemas,
posteridade.
Minha bagagem
é a roupa do corpo. ...
Eu fui uma mulher marítima,
as rugas chegaram antes.
Eu fui uma mulher marítima,
paisagem e pêssego,
uma faísca entre a corda do barco
e a rocha.
Eu fui o que não sou.
Depois que inventaram o inconsciente,
a verdade fica sempre para depois. ...
A mãe orquestrava a horta.
Reservava espaço para ervas
daninhas e seu alfabeto de moscas.
Não mexia na ordem de Deus.
Louvada seja a esmola de uma hortaliça. ...
Acerto o relógio pelo sol.
Percorro as dez quadras de meu mundo.
As ruas são conhecidas e me atalham. ...
Meu medo se interessa por qualquer ruído.
Hoje quero alguém para conversar
enquanto dirijo, baixar os faróis
em estrada litorânea,
enxergar pelas mãos. ...
Fazer as coisas pela metade é minha maneira
de terminá-las.
Fabricio Carpinejar
O poema aqui publicado integra o livro inédito "Cinco Marias"
Carpinejar, Fabrício Carpi Nejar, poeta e jornalista, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS.
Nasceu em Caxias do Sul (RS) aos 23 de outubro de 1972.
É autor dos livros:
As Solas do Sol (Bertrand Brasil, 1998),
Um Terno de Pássaros ao Sul (Escrituras Editora, 2000),
objeto de referência nos The Book of the Year 2001 da Enciclopédia Britânica,
Terceira Sede (Escrituras, 2001),
Biografia de uma árvore (Escrituras, 2002)
eCaixa de Sapatos (Companhia das Letras, 2003)
Cinco Marias (Bertrand Brasil, 2004)
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