observarformigas

POEMAS,.....PALAVRAS AVULSAS,....PENSAMENTOS INCOMPLETOS

quinta-feira, dezembro 02, 2004

LAREIRA

Acho que vou vender a televisão
Vou voltar o sofá para a lareira.

O fogo aprendeu toda a verdade de maneira violenta.O fogo trabalha
epílogos e derrocadas de uma maneira sublime.
Uma dança de destruição.
A purificação de um corpo exposto à violência,
a dança voluvel das linguas rubras.
Um pequeno apocalipse,
numa linguagem final estéticamente perfeita.


fernando gregório



HIJO MÍO

Desde mi vieja orilla, desde la fe que siento,
hacia la luz primera que toma el alma pura,
voy contigo, hijo mío, por el camino lento de este amor
que me crece como mansa locura.

Voy contigo, hijo mío, frenesí soñoliento de mi carne,
palabra de mi callada hondura,
que alguien pulsa no sé dónde, en el viento,
no sé dónde, hijo mío, desde mi orilla oscura.

Voy, me llevas, se torna crédula mi mirada,
me empujas levemente (ya casi siento el frío);

me invitas a la sombra que se hunde a mi pisada,
me arrastras de la mano... Y en tu ignorancia fío,

y a tu amor me abandono sin que me queda nada,
terriblemente solo, no sé dónde, hijo mío.

Leopoldo Panero



MEU FILHO

Daqui da minha velha margem,
daqui onde eu sinto e creio,
contigo irei ,meu filho,pelo caminho lento
deste amor que cresce como uma mansa loucura.

Contigo irei,meu filho, frenesim sonolento
da minha carne,palavra do meu silêncio profundo,
que algém empurra não sei para onde, no vento,
não sei para onde,meu filho,aqui da minha margem escura.

Vou, assim me levas,o meu olhar
torna-se crédulo,
empurras-me levemente,(já quase sinto frio!);
convidas-me para a sombra, que nos meus braços se afunda.

Aarrastas-me pela mão...........,acredito no que tu ignoras,
abandonei-me ao teu amor
sem que nada me reste, terrivelmente só,
não sei onde, meu filho.

Leopoldo Panero

adaptação livre para o português de fer.greg.