FERREIRA GULLAR (Brasil)
EVOCAÇÃO DE SILÊNCIOS
O silêncio habitava
o corredor de entrada
de uma meia morada
na rua das Hortas
o silêncio era frio
no chão de ladrilhos
e branco de cal
nas paredes altas
enquanto lá fora
o sol escaldava
Para além da porta
na sala nos quartos
o silêncio cheirava
àquela família
e na cristaleira
(onde a luz se excedia)
cintilava extremo:
quase se partia
Mas era macio
nas folhas caladas
do quintal vazio
e negro
no poço negro
que tudo sugava:
vozes luzes
tatalar de asa
o que circulava
no quintal da casa
O mesmo silêncio
voava em zoada
nas copas nas palmas
por sobre telhados
até uma caldeira
que enferrujava na areia
da praia
do Jenipapeiro
e ali se deitava:
uma nesga dágua
um susto no chão
fragmento
talvez de água primeira
água brasileira
Era também açúcar
o silêncio
dentro do depósito
(na quitanda de tarde)
o cheiro queimando
sob a tampa no escuro
energia solar
que vendíamos
aos quilos
Que rumor era esse ?
barulho que de tão oculto
só o olfato o escuta ?
que silêncio era esse
tão gritado
de vozes
(todas elas)
queimadas
em fogo alto ?
(na usina)
alarido das tardes
das manhãs
agora em tumulto
dentro do açúcar
um estampido
(um clarão)
se se abre a tampa.
Talvez o mais interessante membro do "Clube do Poetas Vivos do Brasil"!!!!!
O silêncio habitava
o corredor de entrada
de uma meia morada
na rua das Hortas
o silêncio era frio
no chão de ladrilhos
e branco de cal
nas paredes altas
enquanto lá fora
o sol escaldava
Para além da porta
na sala nos quartos
o silêncio cheirava
àquela família
e na cristaleira
(onde a luz se excedia)
cintilava extremo:
quase se partia
Mas era macio
nas folhas caladas
do quintal vazio
e negro
no poço negro
que tudo sugava:
vozes luzes
tatalar de asa
o que circulava
no quintal da casa
O mesmo silêncio
voava em zoada
nas copas nas palmas
por sobre telhados
até uma caldeira
que enferrujava na areia
da praia
do Jenipapeiro
e ali se deitava:
uma nesga dágua
um susto no chão
fragmento
talvez de água primeira
água brasileira
Era também açúcar
o silêncio
dentro do depósito
(na quitanda de tarde)
o cheiro queimando
sob a tampa no escuro
energia solar
que vendíamos
aos quilos
Que rumor era esse ?
barulho que de tão oculto
só o olfato o escuta ?
que silêncio era esse
tão gritado
de vozes
(todas elas)
queimadas
em fogo alto ?
(na usina)
alarido das tardes
das manhãs
agora em tumulto
dentro do açúcar
um estampido
(um clarão)
se se abre a tampa.
Talvez o mais interessante membro do "Clube do Poetas Vivos do Brasil"!!!!!

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