observarformigas

POEMAS,.....PALAVRAS AVULSAS,....PENSAMENTOS INCOMPLETOS

segunda-feira, outubro 11, 2004


O velho Gringo - romance de Carlos fuentes
Não direi que é um romance indespensável. No entanto vale a pena ler "O velho gringo"não só pela sua estrutura narrativa, mas também pelo resultado invulgar de um exercício de distanciamento.Passo a explicar, partindo do principio de que se vê melhor e mais objectivamente do "lado de fora",Fuentes constroi sólidamente dois personagens yanques que pelas mais variadas causas se encontram no México em plena revolução Zapatista.Básicamente Fuentes desenha duas linhas narrativas que têm como epicentro os dois Yanques,as suas contradições, as suas tempestades psicológicas. Fuentes tece a partir dos dois Norte americanos uma fina trama de coflitos emocionais e psicológicos usando "flashbacks" e as descontinuidades cronológicas, usando "as vozes interiores"com uma mestria e uma leveza notável.Interessante é também a dicotomia e o contraste entre os U.S. e o México, duas civilizações que estão geograficamente próximas e culturalmente distantes. Nesse exercício a figura do general Arroyo é paradigmática. Arroyo representa o México no que de telúrico possui. O México das "fiestas de los muertos",o México de uma cultura de aparente irracionalidade, de uma cultura de impulsos de vida/morte conjugadas numa única palavra,ou pelo menos num único sentimento de fúria/apaziguamento, onde a violência da colonização hispanica não conseguiu demolir toda uma construção de mitos indigenas, que mais tarde se associaram construindo uma cultura mestiça.Todos os elementos em jogo são catalizados pela revolução Zapatista, que mostram o que o México é de facto. Uma nação nascida da contradição e que a assume abertamente. Um livro a ler, quanto mais não seja pelo facto de Carlos Fuentes nesta obra se encontrar perante temas que lhe são especialmente caros, e que por isso transformam esta obra numa obra fundamental para o leitor que quer conhecer Carlos Fuentes.
posted by fernando gregório @ 3:24 PM 0 comments
Friday, October 08, 2004

Ella se desnuda en el paraísoDe su memoriaElla desconoce el feroz destinoDe sus visionesElla tiene miedo de no saber nombrarLo que no existeAlejandra Pizarnik- (Árbol de Diana-Buenos Aires-1962)
posted by fernando gregório @ 6:27 PM 0 comments

deserto
O meu deserto Tenho um deserto preso na ponta da caneta, não é um facto surpreendente pois já vi os melhores oradores exibindo magníficos territórios por desbravar no interior das suas bocas. Não se tratam de fenómenos mas sim de velhos hábitos. Como aquele que recusava qualquer tipo de viajem porque via permanentemente o Kilimanjaro projectado sobre a porta da sua casa. Coisas assim são o dia a dia de bastantes anónimos, não se tratam de videntes ou adivinhos mas sim de gente normal e corrente. Conheci igualmente uma criança que transportava permanentemente um rio na extremidade do seu olhar. Na escola ela podia ver em permanência as cachoeiras que eram de todos desconhecidas. Na minha rua habita há algum tempo uma senhora que traz ocasionalmente pela mão o Oceano Atlântico, podendo desta maneira visitar com alguma frequência a sua filha que vive em Nova Iorque. Cá por mim fico muito contente com o meu deserto, pois sempre que fico retido demasiado tempo no trânsito, puxo da caneta e escrevo uma carta sem endereço. Nesses dias deito-me feliz porque tenho a certeza de que ao acordar serei dono do mais belo oásis da minha rua.
posted by fernando gregório @ 11:28 AM 0 comments

território dos dias
Fabricas o poemaNo adivinhar do diaTecendo as horasNo linho das manhãsTransmitindo uma tramaDe murmúriosOnde as vozes transitamSondam os espaçosHabitando o desconhecimentoExactoDesse admirável segredo
posted by fernando gregório @ 7:58 AM 0 comments
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